Em poucas linhas

Brasileiro de Caraúbas – RN, último diretor da antiga ESAM, primeiro reitor pró-tempore da UFERSA nomeado pelo então presidente Lula e primeiro reitor eleito. Como reitor criei a UFERSA em Mossoró, Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros. Instalei 33 cursos de graduação e 10 mestrados e doutorados. Casado e pai de quatro filhos. Leio sobre economia, inovação e empreendedorismo. Adoro conhecer o nosso Semiárido e o meio rural. Gosto de praia e off-road. Sou entusiasta de projetos inovadores para a educação.

Militares representam 45% do rombo no setor público, mas ficam fora da PEC

[0] Deixe seu comentário 07 de Dezembro de 2016 às 07:15hs

Apesar de representarem cerca de 45% do déficit previdenciário do setor público, os militares das Forças Armadas ficaram de fora do projeto de reforma da Previdência. Segundo o secretário de Previdência Social, Marcelo Caetano, a matéria será tratada posteriormente por meio de projeto de lei que será encaminhado ao Congresso.

Caetano frisou que "todos" darão sua contribuição para o ajuste da Previdência. "Todos vão contribuir para processo de ajuste", disse. Em 2015, o déficit previdenciário dos servidores, incluindo militares, somou R$ 72,5 bilhões, sendo que R$ 35,5 bilhões se referem aos benefícios a civis, R$ 32,5 bilhões a militares e R$ 4,5 bilhões para demais.

O secretário explicou que policiais militares e bombeiros passam a atender a regras geral de aposentadoria, que prevê idade mínima de 65 anos e tempo mínimo de contribuição de 25 anos. A alteração imediata só será feita para os futuros policiais militares. Para os atuais, a regra de transição será definida pelos Estados, observada a idade mínima de 55 anos para "aposentadoria" (reforma ou reserva) remunerada. "Nesse caso, não tem como estabelecer regra de transição igual para todo mundo", disse.

Caetano afirmou que a regra para aposentadoria dos políticos terá a mesma especificidade dos militares e bombeiros, dependendo de decisões locais de Estados. No caso dos políticos da União (Congresso Nacional), será preciso uma regulamentação específica também para definir os termos da transição. Os novos políticos estarão no regime geral.

Para os professores, Caetano disse que o pedido de aposentadoria também deve obedecer à regra geral. Os critérios para transição serão específicos. Atualmente, a aposentadoria por tempo de contribuição do professor é concedida após comprovação de 30 anos de contribuição, se homem, ou 25 anos de contribuição, se mulher - cinco anos a menos do que o exigido de outros trabalhadores.

Juízes, promotores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também permanecem com tratamento igual ao dos demais servidores públicos. "Eles são servidores públicos como qualquer outro e já estão na norma vigente. Eles já são submetidos ao Funpresp [regime de previdência complementar dos servidores públicos]. O tratamento deles é igual ao dado ao servidor público", disse Bruno Leal, assessor especial da Casa Civil.

 

Fonte: Valor

Estudo destaca concentração de terras no Brasil

[0] Deixe seu comentário 02 de Dezembro de 2016 às 03:16hs

No Brasil, menos de 1% dos proprietários agrícolas possui 45% da área rural do país. Os homens estão à frente de 87% dos estabelecimentos, representando quase 95% das propriedades rurais. As grandes fazendas, com mais de mil hectares, concentram 43% do crédito agrícola. Mas são os pequenos que respondem por mais de 70% da produção de alimentos.

O estudo que mostra que no Brasil há muita terra para pouco proprietário foi assinado pela Oxfam, rede global de ONGs que define seu perfil de atuação pela luta contra a pobreza e a desigualdade em mais de 90 países. Batizado de "Terra, Poder e Desigualdade na América Latina", o relatório compara o cenário da concentração de terra em 15 países da região.

No Brasil, o estudo foi feito por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e levou em conta o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2006, o sistema de cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, entre outros.

"Uma das mensagens principais do relatório é que se a América Latina é uma das regiões com maior desigualdade do mundo, essa desigualdade tem como um de seus pilares a concentração de terras", diz Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil. "O modelo da concentração de terras reforça a desigualdade, que se retroalimenta no acesso a recursos financeiros e tecnológicos."

Pelo estudo da Oxfam, as propriedades de até 10 hectares ficam com 39,8% dos contratos de financiamento, que significam menos de 7% do volume de dinheiro. As propriedades acima desta linha de corte tem 0,9% dos contratos de financiamento e 43,6% dos recursos.

Dados do Incra e da Procuradoria-Geral da Fazenda indicam que, em 2015, havia 4.013 propriedades com dívidas acima de R$ 50 milhões cada. Um universo de 729 proprietários tinha 4.057 imóveis rurais. "A dívida total desse grupo de pessoas chegava a R$ 200 bilhões em 2015", diz Katia Maia. "Calculamos que 200 mil pessoas poderiam ser assentadas se os devedores pagassem suas dívidas", diz ela, a "título de ilustração."

O Brasil está em quinto lugar em termos de concentração de terras da região. Ainda pior é a situação do Paraguai, Chile, Venezuela e Colômbia. O país com melhor cenário é a Costa Rica.

"Concentração de terra também significa concentração de recursos naturais", destaca a diretora da Oxfam. "Precisamos enfrentar esta desigualdade que, ano a ano, prejudica o desenvolvimento sustentável e o combate à pobreza não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina", disse ela, em nota divulgada à imprensa.

O estudo da Oxfam cita Correntina, na Bahia, como um município dos que está entre os 1% de maior concentração fundiária. Ali, as grandes propriedades ocupam 75% da área total dos estabelecimentos agropecuários. A pobreza atinge 45% da população rural e quase 32% da população total. Entre 2003 e 2013, em Correntina, 249 pessoas foram resgatadas da condição de trabalho análogo ao de escravo pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

 

Fonte: Valor

O desafio de produzir mamão na seca em Baraúna

[0] Deixe seu comentário 01 de Dezembro de 2016 às 08:34hs

Quem passa no contorno de Baraúna fica admirado com a expressão da seca naquele município que, até 2010, era um dos principais produtores de mamão, banana, melancia, cebola, e mamão da Chapada do Apodi.

Primeiro, houve uma debandada de vários médios produtores e exportadores de melão do município e, em seguida, reduziu-se drasticamente as áreas cultivadas com mamão e banana.

Mas, nem tudo está perdido no município de Baraúna, que era denominada pela municipalidade como a Terra da Fruticultura. A UGBP (Union of Growers of Brazilian Papaya) Produção e Exportação Ltda, empresa com mais de 13 anos de experiência com a produção de mamão papaia no Espírito Santo, e há mais de três anos, instalada na região de Baraúna está conseguindo vencer os desafios da seca com a produção em sistema integrado com vários médios produtores locais. A UGBP é, atualmente, a principal empresa exportadora de mamão formosa para a Europa. Para isto está montando um moderno packinhouse (casa de embalagem) no Sítio Sumidouro, há poucos metros do Distrito Industrial do município. A empresa tem conseguido se destacar na qualidade do mamão que chega ao mercado europeu, mesmo com toda a dificuldade de falta d`água e com a delicadeza que o fruto exige. O mamão formosa é um dos frutos tropicais mais perecíveis e para atingir o mercado europeu via marítima precisa de vários tratamentos pós-colheita e o uso adequado de sistema de refrigeração. Todos estes cuidados estão sendo feitos pela UGBP, o que tem favorecido a qualidade do fruto no mercado externo.

A empresa também se destaca na qualidade do fruto que está sendo comercializado no mercado interno, notadamente, o mercado mais potencial que é o Sudeste. Semanalmente, vários caminhões refrigerados carregados de mamão formosa deixam a empresa com destino ao Sudeste do país.

Há muitos problemas de pré- e pós-colheita que estão afetando a qualidade do fruto após estes cinco anos de seca, mas, em visita nesta semana a UGBP, podemos verificar in loco a qualidade dos profissionais que trabalham com a cultura em todas as suas etapas. Este parece ser o grande diferencial da UGBP.

A empresa está implantando uma nova área de produção de mamão formosa na região compreendida entre os municípios de Apodi e Tabuleiro do Norte, ao lado da Estrada do Arenito, localidade conhecida como Campos Velhos. A empresa trabalha com a meta inicial de produzir 90 ha de mamão formosa, além de figo, goiaba e abacate. O principal atrativo dessa região é a qualidade da água do lençol freático Arenito-Açu e a sua disponibilidade a baixa profundidade (menos de 200 m).

 

Mais informações: CTARN - UFERSA.

Prioridade na formação inicial

[0] Deixe seu comentário 29 de Novembro de 2016 às 17:38hs

O Brasil atravessa uma das piores crises econômicas de sua história e, com isso, temos desafios imensos, em especial no que tange a educação. Se, por um lado, o orçamento não fecha e são precisos ajustes, por outro, a qualidade da educação pública no país é baixa e a necessidade de investimentos na área é premente. Desse modo, a principal pergunta a fazermos é como melhorar a educação pública no Brasil em um ambiente de restrição fiscal?

O primeiro passo é analisar se os atuais gastos do país com a área são adequados. O Brasil investe hoje cerca de 6% do PIB em educação pública, o que, em termos relativos e comparados a outros países, é um percentual significativo. Alemanha, Japão, e Coreia, por exemplo, países que possuem sistemas educacionais públicos de boa qualidade, investem respectivamente menos de 4% do seu PIB. A média da OCDE, grupo que reúne os países com maior nível de desenvolvimento do mundo, é de um pouco menos que 5%.

No entanto, isso não significa que o Brasil invista o suficiente em educação. Como nosso PIB per capita é muito baixo (estamos na 70ª posição no mundo), o valor que de fato redunda em investimentos na área também é baixo. Somos um país grande, mas pobre, essa é a verdade. Desse modo, acreditamos que para quebrar o círculo vicioso do baixo desenvolvimento, precisamos, sim, ampliar os gastos públicos em educação.

Para um salto na qualidade de ensino, é preciso professores mais bem preparados e líderes com capacidade de gestão

E há um caminho paralelo para melhorar a educação pública: fazer mais com o que já gastamos, investindo de forma inteligente e eliminando desperdícios. Recentemente, conduzimos um estudo em que comparamos o desempenho de sistemas de educação no mundo todo, medidos por um índice que combina resultados em provas internacionais aplicadas em diferentes idades do ciclo de educação básica, com os gastos por aluno, ajustado para o custo de vida do país. Os resultados são inequívocos.

Primeiro, gastar mais melhora o desempenho em educação, mas, após um certo nível, os ganhos vão se tornando marginais. Ou seja, simplesmente colocar mais dinheiro não resolve. Xangai, por exemplo, que ocupa o primeiro lugar, gasta menos da metade do que os Estados Unidos e tem um desempenho 20% superior. O Brasil gasta 25% a mais que o México e tem desempenho similar. Segundo, dentro de uma mesma faixa de gasto, o desempenho varia muito. A Rússia tem um resultado muito melhor que o Brasil com o mesmo gasto.

Que dá para fazer muito mais com o mesmo, está claro. A questão é o que precisamos fazer. Não temos a pretensão de ter as respostas prontas, mas temos algumas crenças: 1- temos que focar os investimentos nos anos iniciais, garantindo que as nossas crianças aprendam a aprender; 2- os investimentos que geram mais impacto não são focados em infraestrutura ou em tecnologias por vezes caras, mas sim no apoio ao desenvolvimento dos professores e diretores das escolas.

Existem inúmeras evidências de que o investimento em pré-escola é crítico, pois o ser humano desenvolve a maior parte de sua capacidade cognitiva, emocional e social entre zero e seis anos. Investir fortemente na alfabetização e na lógica básica de matemática é fundamental. Se a criança não é bem alfabetizada, como ela vai continuar a aprender à medida que vai crescendo? Parece óbvio que esse deveria ser um preceito básico em qualquer sistema educacional, mas no Brasil isso não é uma verdade absoluta. 34% dos alunos que concluíram o ensino fundamental, ou seja estudaram até a nona série, são considerados analfabetos funcionais. Se olharmos a população como um todo, 27% são considerados analfabetos funcionais e somente 8% atingem um grau de proficiência adequado.

Se assegurar investimentos nos anos iniciais é importante, outra reflexão relevante é em que tipo de investimento temos maior impacto. Acreditamos que apoiar o desenvolvimento dos nossos professores e líderes escolares é a melhor alternativa. Sem dúvida que assegurar uma infraestrutura básica digna é condição necessária para termos um aprendizado de qualidade. Mas, para darmos um salto na qualidade de ensino, precisamos de professores mais bem preparados, que saibam o conteúdo e a metodologia de como ensinar bem, e líderes escolares com boa capacidade de gestão.

Diversos estudos acadêmicos comprovam essa tese. Um estudo nos EUA, por exemplo, selecionou estudantes de 8 anos que estavam na média de desempenho e acompanhou a evolução de desempenho deles até os 11 anos. Os que tiveram excelentes professores foram para os top 10%, enquanto os que tiveram professores ruins caíram para a faixa dos 40% piores.

No Brasil, temos diversos exemplos de sucesso dessa estratégia focada em apoiar o professor a ser cada vez melhor. Talvez a iniciativa com maior abrangência foi o programa de intervenção pedagógica que a rede estadual de Minas Gerais massificou a partir de 2007, atingindo mais de 3600 escolas e 2 milhões de alunos. O Estado, que estava em 5º lugar no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para os estudantes do ensino fundamental anos iniciais, saltou para primeiro lugar em 2009, tendo mantido essa posição até 2013. Um estudo da Fundação Lehman em 2013 apontou que 50% das 215 escolas públicas do Brasil que melhor ensinam mesmo em condições socioeconômicas adversas estão no Estado.

Acreditamos que esse exemplo demonstra o que podemos alcançar em nível nacional, pois Minas Gerais é um Estado com o maior número de municípios do Brasil e que resume bem as nossas diferenças regionais. Além de ser uma iniciativa de grande escala e representativa da realidade brasileira, esse caso também mostra que é possível ter impacto rápido e com investimento reduzido. Apesar de ter atingido esse resultado de destaque em nível nacional, o custo do aluno da rede estadual de Minas Gerais está abaixo da média das redes estaduais no Brasil.

Faria bem ao país aproveitar a oportunidade trazida por uma das piores crises econômicas de sua história e transformar a realidade da educação pública brasileira, promovendo uma gestão escolar que mire a melhoria da qualidade dos professores. Precisamos investir mais em educação pública, mas também precisamos investir melhor.

Nicola Calicchio e Marcus Frank são, respectivamente, presidente da McKinsey para a América Latina e consultor sênior da McKinsey em SP

Pronaf completa 20 anos com baixa inadimplência

[0] Deixe seu comentário 28 de Novembro de 2016 às 21:28hs

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) acaba de completar 20 anos, com mais de 27 milhões de contratos, R$ 170 bilhões de crédito concedido e inadimplência abaixo de 1%. Porém, José Ricardo Ramos Roseno, secretário especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário, afirma que, em duas décadas, o Pronaf não atingiu 50% dos agricultores familiares do Brasil.

Segundo dados do Censo Agropecuário 2006 do IBGE, o último realizado no país, o Brasil apresenta pouco mais de 5 milhões de propriedades rurais, sendo cerca de 4,5 milhões deste total referentes à agricultura familiar. Neste ano agrícola (1º de julho de 2016 a 30 de junho de 2017), o total de recursos disponíveis nas linhas do Pronaf é de R$ 30 bilhões, aproximadamente 20% maior ao montante do ano anterior, quando a soma chegou a R$ 26 bilhões, com aplicação de R$ 22,1 bilhões. O Censo Agropecuário de 2006 mostrou que a agricultura familiar responde por 50% da produção dos itens que compõem a cesta básica consumida pelos brasileiros.

"Com base nesse cenário, neste ano agrícola, estimulamos ainda mais as linhas de custeio (capital empregado para uso na produção da safra) para os agricultores familiares que trabalham com produtos da cesta básica, baixando a taxa de juros de 5,5% para 2,5%, ao ano. E já tivemos resultados, houve um incremento de 10% na aquisição de crédito para custeio nos quatro primeiros meses do ano agrícola em relação ao mesmo período do ano anterior", diz Roseno.

De acordo com o secretário, o objetivo é estimular o agricultor familiar a aumentar a produção dos produtos que compõem a cesta básica, investindo na qualidade. Roseno explica que, para os produtores agrícolas familiares que lidam com orgânicos, os juros do Pronaf, neste ano agrícola, baixaram de 5,5% para 2,5% ao ano.

"O objetivo dessa redução é impactar a inflação dos produtos da cesta básica. A agricultura familiar tem um papel primordial nos produtos mais consumidos diariamente. Os agricultores familiares são responsáveis pela produção de 87% da mandioca; 70% do feijão; 58% do leite; 59% dos suínos; 46% do milho e 38% do café, consumidos no Brasil", diz Roseno.

Na visão do secretário, os principais entraves para difundir o acesso ao crédito do Pronaf estão relacionados aos entraves que o produtor agrícola encontra para conseguir regularizar sua situação fundiária; às dificuldades de infraestrutura num país com dimensões continentais; e, sobretudo, à falta de assistência técnica adequada aos agricultores familiares.

Estudos feitos pela Diretoria de Agronegócios do Banco do Brasil (BB) apontam que, nas últimas três safras, os volumes desembolsados na instituição para a agricultura familiar somaram R$ 43,8 bilhões. Com relação à safra 2016/17, a estimativa no BB é desembolsar R$ 14,6 bilhões em operações para a agricultura familiar, isso representa um volume 8,2% superior ao realizado na safra anterior.

Ainda, segundo os dados da Diretoria de Agronegócios do BB, as principais demandas dos agricultores familiares em relação ao Pronaf são para custeio agrícola e pecuário e investimento para aquisição de animais, implementos, máquinas e equipamentos. Mas os dados mostram que há uma mudança nas demandas por créditos para investimento na modernização da produção, por meio da aquisição de itens como máquinas, implementos e de novos equipamentos para correção e recuperação de solos, resfriadores de leite, melhoria genética, irrigação, implantação de estufas e pomares, armazenagem e cultivo protegido.

O BNDES teve, no ano agrícola passado, R$ 595 milhões em recursos autorizados para Pronaf, de custeio, sendo que a demanda chegou a R$ 504 milhões. Carlos Alberto Vianna Costa, chefe do Departamento de Relacionamento Institucional e Gestão do Crédito Rural, diz que a tendência para este ano agrícola é utilizar a totalidade dos recursos disponíveis. "Este ano, temos um total de R$ 2 bilhões, sendo R$ 825 milhões para custeio. No geral, temos tido um desempenho muito bom em termos de Pronaf, com destaque para as regiões Sul e Sudeste", diz Costa.

Fonte internet: Suzana Liskauskas (Valor)
 
 

“O RN é o estado que mais tem reserva d’água no Nordeste”

[0] Deixe seu comentário 27 de Novembro de 2016 às 03:53hs

 »ENTREVISTA »  João Abner Guimarães Junior

professor doutor em Hidráulica e Saneamento, Mestre em Recursos Hídricos, engenheiro

Hudson Helder

Chefe de Reportagem

O Rio Grande do Norte é o estado em melhor situação de reservas de água, comparando aos demais estados do Nordeste, e não deveria estar com o sistema de abastecimento humano em colapso na maioria dos municípios do semiárido se os investimentos necessários tivessem sido feitos. Essa é a conclusão do professor doutor em Hidráulica e Saneamento, e mestre em Recursos Hídricos, engenheiro João Abner Guimarães Junior. Os sistemas complementares às adutoras construídas há mais de duas décadas deveriam ser autofinanciados pela própria Caern, sem a dependência dos recursos federais. O Rio Grande do Norte, segundo ele, tem duas das barragens que atualmente dispõem dos maiores volumes de água. O colapso no abastecimento para regiões como a Seridó e Central poderia ter sido evitado se a Companhia tivesse assumido a responsabilidade de financiar essas obras, mas optou por abrir mão do faturamento desses municípios. O caminho mais fácil, de acordo com o especialista.

Professor aposentado da UFRN explica porquê vários municípios do RN não deveriam estar com o sistema em colapso

Na entrevista que segue, João Abner explica que abrir mão do faturamento é o caminho menos adequado, e mais oneroso ao consumidor que acaba arcando com o custo de um abastecimento paralelo. Abner defende a tese que, se é necessário reajustar tarifa para viabilizar o financiamento dessas obras, a Caern deveria fazê-lo. Sem isso, o Rio Grande do Norte continuará com grandes reservas de água disponíveis, mas sem aproveitamento porque historicamente tem limitado à busca de recursos em Brasília. E acrescenta que falta debate por parte de instituições e setores que deveriam assumir a gravidade da situação e as soluções definitivas.

O problema de desabastecimento para municípios do semiárido do Estado não é falta d'água?

Nossa situação, em termos de reservas d'água é a melhor entre os estados do Nordeste, e por vários motivos. O primeiro deles é que boa parte da demanda do Estado é concentrada no litoral, considerando que as regiões agreste e litoral consomem água daqui mesmo, dessa faixa mais próxima à capital. Já a região Central, onde temos uma população menor, é onde existe mais água. Estamos falando do ponto de vista da disponibilidade per capta. Se considerarmos os moradores da região Central, o Seridó e o Baixo Açu, há uma disponibilidade duas vezes maior que a média do Estado. Especialmente no período de seca, como este que vivenciamos há cinco anos. Em condições normais, a per capta do Estado é em torno de 800 metros cúbicos/ano; da região Central é 2 mil metros cúbicos/ano. Hoje, essa região está com 500 m³/ano por pessoa e o Litoral próximo de 300m³/ano.

Mas qual é o parâmetro usado?
É importante comparar sob o ponto de vista do consumo humano, que vai de 50m³ a 100 metros cúbicos por ano. Mesmo no Litoral, temos uma certa folga, com disponibilidade o dobro do consumo humano de Natal, por exemplo.

Em relação aos demais estados do Nordeste, por exemplo, qual é nossa situação?
Lavando-se em conta que atravessamos a maior seca dos últimos 100 anos, e comparando com estados como a Paraíba [a pior situação do Nordeste], e o Ceará, que apesar de ter mais água que o RN tem uma Região Metropolitana com 3,5 milhões de habitantes e consumindo água vinda do interior do Estado, nosso estado está em situação muito melhor quanto à disponibilidade de água. Ou seja, lá eles têm uma reserva comprometida. O que não ocorre conosco. Nossa segunda maior cidade, Mossoró, tem condições de abastecimento parcial com água subterrânea. Além da água superficial do Baixo Açu.

A água armazenada em barragens como Armando Ribeiro Gonçalves, Umari e Santa Cruz do Apodi poderia ser melhor aproveitada, especialmente considerando o colapso em alguns municípios?

Primeiro, é importante registrar que o consumo humano da água da Armando Ribeiro Gonçalves é pequeno, comparando-se com sua disponibilidade. Hoje, incluindo as transposições que temos para Mossoró e a adutora do Médio Oeste, somando tudo não chega a 1 mil litros/s. Isso dá 30 milhões por ano, em termos de consumo humano. Se pegarmos as quatro maiores reservas de água do Nordeste, hoje, a maior é a Armando Ribeiro Gonçalves. Em seguida os dois grandes do Ceará — o Castanhão e o Orós, e quarta maior reserva é a barragem de Santa Cruz.

Que tipo de planejamento pode ser feito otimizar o uso dessas reservas?
O projeto do Rio Grande do Norte, que vem sendo desenhado há bastante tempo, desde a época do governo Garibaldi [Garibaldi Alves Filho, de 1994-2002] é um grande programa de adutoras de cunho regional, sustentado nas maiores reservas. A partir do Litoral, a adutora Monsenhor Expedito; da barragem do Açu, a adutora Mossoró e a Sertão Central, além da adutora da Serra de Santana. O Seridó ficou fora desse programa.

A adutora de Caicó é o projeto adequado para a situação?
Ela é uma obra emergencial, como aquela feita para Currais Novos. Mas o adequado mesmo é uma adutora de caráter regional para o Seridó, apesar de ter uma na Serra de Santana, que não contempla a demanda da parte mais baixa do Seridó. Mas é preciso ressaltar que as condições de uma adução de água da Armando Ribeiro Gonçalves para o Seridó são as mais adequadas, trabalhando com a nossa realidade. 

Mas um projeto desses, de uma adutora de fato para servir aquele sistema do Seridó, não poderia ser tocado com autofinanciamento? Sem a dependência de recursos federais?
Claro. Basta considerar o faturamento da Caern para a cidade de Caicó, que gira em torno de R$ 1 milhão. Então, uma solução definitiva que envolve 40 meses de faturamento num empreendimento comercial é algo extremamente viável. O Rio Grande do Norte precisaria, urgentemente, resolver a questão de Caicó, algo encaminhado agora com essa adutora de caráter emergencial. Mas precisa de uma adutora para a região de Pau dos Ferros, uma adutora relativamente barata.

Mas não foi instalada uma adutora para Pau dos Ferros?
Existe a adutora do Alto Oeste. Mas o projeto dessa adutora foi desvirtuado porque originalmente, a linha tronco da adutora [linha expressa] saía da barragem de Santa Cruz até Pau dos Ferros. Quando começou a ser implantado por um subsistema de Umarizal — época do governo de Wilma [Wilma de Faria]; só que quando foram conseguir recursos para fazer o projeto da adutora, então questionaram a necessidade dessa linha expressa porque, na prática isso iria comprometer a justificativa da necessidade da transposição do rio São Francisco. Aí foi cortada essa linha expressa e Pau dos Ferros ficou fora da adutora do Alto Oeste, o que resultou nessa crise instalada hoje. No governo passado [Rosalba Ciarlini] foi feita uma adutora de engate rápido, mas com uma vazão 25% da necessária, de forma que o sistema ficou precário.

E para resolver a situação de Pau dos Ferros, agora, o que é necessário?

Precisaria de uma adutora do porte dessa que será construída em Caicó, que também seria um investimento da ordem de R$ 40 milhões. Mas precisa também um sistema adutor para o Baixo Açu porque o sistema de captação existente lá é precário.

O que é precário?

Eles captam água a fio d'água, diretamente do rio. Ou seja, eles precisam de uma lâmina d'água permanente, e com uma certa profundidade que permita a captação com bomba. Isso gera um desperdício imenso. Quem for à passagem molhada de Pendências verá um grande desperdício de água. A barragem vem liberando, nos últimos anos, 5 mil litros/s. Em condições normais, libera de 15 mil a 17 mil litros/s. Vinham reduzindo gradativamente essa vazão, mas na hora que reduziram para 4,5 mil litros/s criou uma dificuldade à captação de Pendências, aí voltaram para os 5 mil litros/s. Essa água simplesmente vai embora a partir do ponto de captação. A captação para Pendências, Macau e Guamaré é pequena comparando-se com o que está saindo hoje para permitir que se tenha uma /lâmina d'água no rio.

E há solução para isso?

Venho defendendo essa solução, relativamente barata, há mais de um ano. Mas não me ouvem. Seria a construção de uma adutora, talvez na margem direita do rio Piranhas-Açu, começando na extremidade do canal do Pataxó e de lá desceria até o ponto de captação do sistema que abastece Pendências e Macau. Isso dá cerca de 40km. Em termos de custo financeiro, algo próximo àquele para implantar essa de engate rápido para Caicó. No final de tudo, somaria algo em torno de R$ 200 milhões, que é um investimento pequeno se comparado àquele feito para as grandes adutoras.

E quando se fala em autofinanciamento, quem assumiria?
A empresa que talvez seja a mais rentável do Estado é a Caern. Detém quase que um monopólio; veja que estamos atravessando uma crise imensa, e o custo de produção de água da Companhia vem aumentando, e os prejuízos por perda de faturamento também, e mesmo assim a tarifa de água da Caern — uma das mais baratas — ela não aumenta. Suspeito que esse realinhamento da tarifa não esteja sendo feito para que não sejam cobradas melhorias. Acho um absurdo o setor de abastecimento urbano de água, que é um setor viável — o consumidor, especialmente o do interior do Estado, tem consciência do valor da água porque eles é que estão arcando com o extra —, é o preço está defasado. Da forma como está hoje, com o consumidor pagando por carro pipa e comprando também água mineral, certamente seria mais em conta que a Caern assumisse a responsabilidade pelos investimentos ao invés de abrir mão de receita para não ter que investir. Tem gente gastando R$ 300,00/mês para comprar água sem garantia alguma de qualidade.
Precisa é a Caern apresentar um plano de abastecimento que, mesmo implicando em reajuste, creio que todos aceitariam porque seria com certeza a um custo menor que o pago hoje pelo consumidor que tem comprado água a elevados preços.

Se isso não é feito, qual a consequência?
Primeiro, esse setor de abastecimento urbano está disputando os recursos da Defesa Civil que viriam para o abastecimento do setor rural. A Caern fica aguardando uma solução via governo federal, numa quase total dependência.

Qual a condição básica para reverter isso?

Em relação ao semiárido do sertão, existe uma política de dependência muito forte com o governo federal. Chega a ser cultural a questão do pires na mão. Os grandes investimentos já foram feitos e o que precisa agora é pouco, comparando-se ao que seria se não houvesse essas estruturas. O Governo Federal já investiu muito aqui, nesse setor, porque temos hoje grandes barragens e adutoras. Se você dividir, hoje, esses quase R$ 200 milhões necessários às obras complementares entre os consumidores do Estado seria absolutamente viável e sem depender da União. A questão é muito mais política, da dependência histórica que se tem com o governo federal, que não enxerga as questões locais. São políticas macro. Quem deveria estar enxergando era o governo do Estado. As políticas dessas regiões do Estado não são vistas por Brasília, que enxerga a para o Nordeste.

Falta discussão sobre isso?
Falta debate. Mas cabe a quem a iniciativa desse debate? Se chamar, todo mundo vem. Se a gestão de recursos hídricos é governamental, teria que ser do governo. Sem a presença do governo não adianta porque no final das contas quem vai implementar essas políticas é o governo do Estado. Precisa, claro, é haver um desarmamento de ânimos.

Quem mais poderia participar dessa discussão?
A própria Assembleia Legislativa poderia estra puxando esse debate, além é claro de representações da sociedade civil, Federação das Indústrias, da Agricultura... mas por que esse debate não está acontecendo se estamos atravessando a maior seca da história? A solução para a seca tem que basear na velha lição de 'José do Egito' — sete anos de vacas magras, sete anos de vacas gordas. Mas a preocupação é que, se no próximo ano for bom de inverno, como se espera, o que vai mudar? A região continua despreparada para aproveitas essas águas.

Analise e veja que o RN tem jeito

[0] Deixe seu comentário 26 de Novembro de 2016 às 07:44hs

 

Cerca de um quarto das despesas dos Estados com pessoal é direcionada ao pagamento de benefícios a aposentados e pensionistas. Levantamento feito pela pesquisadora Vilma Pinto, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), com base nos dados do Programa de Ajuste Fiscal (PAF) referentes a 2015, mostra que cinco Estados estão acima da média nacional.

A pior situação é a do Rio Grande do Sul, onde 41% das despesas com pessoal são gastos previdenciários. Na sequência estão Minas Gerais (36%), Rio de Janeiro (34%), Piauí (29%) e Santa Catarina (29%).

O PAF, para a pesquisadora, mostra o custo real dos regimes de previdência dos servidores para os Estados, já que desconsidera no cálculo do déficit o uso de receitas extraordinárias para cobrir os gastos correntes com as aposentadorias e pensões.

As prestações de contas feitas através do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) e do Relatório de Gestão Fiscal (RGF), por exemplo, levam em conta todas as receitas, independentemente da fonte. "Ela também é uma metodologia única, calculada pelo Tesouro. No RREO, cada Estado informa seu próprio valor", diz Vilma. A pesquisa faz parte do Boletim Macro do Ibre referente a novembro, ao qual o Valor teve acesso com exclusividade.

Em Estados como o Rio, onde o governo chegou a usar royalties do petróleo e depósitos judiciais como receitas da RioPrevidência, a diferença entre as métricas está na casa dos bilhões. Pelo RREO, o déficit previdenciário do Estado é de R$ 542 milhões, número que sobe para R$ 10,8 bilhões pelo PAF.

A discrepância mostra situação ainda mais delicada das finanças estaduais do que a sinalizada pelos relatórios que os entes enviam no fim de cada bimestre ao Tesouro. Os dados de 2015 do PAF somam déficit de R$ 76,1 bilhões para um conjunto de 21 Estados, valor 33% maior do que o informado por esse mesmo grupo através do RREO.

A soma do déficit dos 24 Estados com dados disponíveis chega a R$ 77,1 bilhões. O aumento real de 16% sobre o total de 2014, R$ 66,4 bilhões, é, de longe, o maior dos últimos três anos. Entre 2012 e 2014, o avanço médio do déficit previdenciário dos Estados foi de 4,7%, descontada a inflação.

A pesquisadora observa que os Estados com maiores custos previdenciários estão tanto entre os que enfrentam maior dificuldade para pagar a folha quanto entre os que vinham usando receitas temporárias para cobrir gastos permanentes. "São fatos e números que assustam e deixam clara a necessidade urgente de reformas na previdência dos governos estaduais."

A crise fiscal dos Estados e da União é mais um dos fatores que têm jogado contra a atividade neste ano e que podem prolongar por mais alguns trimestres a recessão. A seção do boletim dedicada à atividade reconhece que os dados do terceiro trimestre frustraram as expectativas.

Diante de um consumo das famílias mais negativo que o esperado - e que deve recuar 1,1% sobre o segundo trimestre, quando caiu 0,7% em relação aos três primeiros meses do ano -, a projeção para o PIB do terceiro trimestre foi revisada de queda de 0,6% para retração de 1%, na comparação com o trimestre anterior, na série com ajuste sazonal.

Fonte: Valor

BB busca mais agilidade na liberação de crédito

[0] Deixe seu comentário 25 de Novembro de 2016 às 04:11hs

Após uma indefinição que durou cerca de três meses, o paranaense Tarcísio Hubner assumiu há duas semanas a vice-presidência de Agronegócios do Banco do Brasil, líder absoluto em financiamentos ao agronegócio no país, com a tarefa de dar mais agilidade às operações de crédito rural da instituição. Para isso, aposta em uma receita baseada em desburocratização e tecnologia - ingredientes conhecidos, mas que costumam dar bons resultados.

Funcionário de carreira do BB, onde trabalha há mais de três décadas, Hubner foi escolhido para o novo posto, um dos mais importantes do setor em Brasília, depois de enfrentar forte disputa. E é em um mercado onde a concorrência é cada vez mais acirrada, dado o renovado interesse dos bancos privados pelo campo, que terá que impor a agenda definida pelo presidente da instituição, Paulo Caffarelli, antes mesmo de seu nome vir a público.

O Banco do Brasil tem no momento uma carteira de crédito que soma R$ 179,6 bilhões no agronegócio, o que lhe garante uma participação de 61% na área, conforme os dados mais recentes do Banco Central (ver infográfico). É verdade que na década de 1980, um passado já distante tendo em vista a modernização do setor nas últimas décadas, a fatia chegou a ser de cerca de 90%, mas, mesmo assim, um quinhão para lá de significativo, que o BB não pretende oferecer de bandeja para a concorrência.

Assim, disse Hubner ao Valor, uma das prioridades é fazer com que os financiamentos para custeio agropecuário - principal modalidade de crédito do banco - sejam liberados em apenas um dia, ante uma demora que, atualmente, pode chegar a semanas ou até meses. Para isso, a ideia do BB é exterminar aos poucos os incontáveis processos em papel, se conectar de vez ao mundo digital e modernizar o atendimento aos produtores rurais do século XXI.

Nesse sentido, umas das primeiras investidas de Hubner, que já estava em curso antes dele se tornar vice-presidente de Agronegócios do BB, será ampliar o projeto "Plantar", que foi iniciado por seu antecessor - o também paranaense Osmar Dias - e acaba de ser rebatizado para "BB Agro Digital". Trata-se de um programa interno do banco para digitalizar gradativamente todos os processos de análise e concessão de crédito ao agronegócio.

"Queremos ampliar nossa fatia de mercado, mas para isso o produtor precisa ter uma experiência melhor com o banco e receber respostas mais imediatas", afirmou o executivo, que antes de assumir a nova função comandou superintendências regionais do banco em vários Estados com vocação rural, como Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Tocantins.

Nesse "rejuvenescimento", o BB também conta na manga com um aplicativo para celular, o "Geo Mapa Rural", que já é usado em 700 mil propriedades rurais e poderá chegar a 1 milhão até dezembro, nos cálculos da instituição. A ferramenta permite que o agricultor trace as coordenadas geográficas de sua fazenda por meio de sistema GPS e facilita a aprovação ou a renovação dos financiamentos.

O aplicativo atende a uma norma do Banco Central, em vigor desde o início do ano, que visa a aumentar a fiscalização dos bancos que operam com crédito rural. Mas, na prática, também oferece ao BB a oportunidade de testar um serviço online, afirmou o vice-presidente do banco. Isso num momento em que muitos clientes, inclusive agricultores e pecuaristas, já cultivam o hábito de não frequentar agências bancárias - o próprio banco acaba de anunciar que fechará 402 delas pelo país.

Hubner disse enxergar com bons olhos a entrada de mais instituições privadas no mercado e o aumento da oferta de fontes alternativas de financiamento ao setor, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e o Certificados de Recebíveis do Agronegócio. Mas não acredita que essa tendência vá tirar mercado do BB. "Não vemos nenhuma ameaça à nossa liderança na carteira rural no curto ou médio prazos".

Em setembro, contudo, os desembolsos do BB de crédito voltado às agroindústrias recuaram 17,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, para R$ 30,5 bilhões, por conta das taxas de juros mais elevadas em vigor no Plano Safra 2016/17. E esse é justamente um dos públicos mais disputados pelas instituições privadas, que liberaram R$ 5,3 bilhões às agroindústrias em setembro, quase 13% mais em igual comparação.

De acordo com dados do BC, nos primeiros quatro meses do ciclo atual (julho a outubro), as contratações totais de crédito rural junto aos bancos privados atingiram R$ 20 bilhões, 3,5% mais que no mesmo período do ciclo 2015/16. No caso do BB, houve diminuição de 16,7% para R$ 19,4 bilhões.

Hubner minimizou esses movimentos. Afirmou que, em outubro, o mercado de crédito rural "voltou ao normal". E que muito do ritmo um pouco menor dos desembolsos do banco no início da presente temporada se deveu aos R$ 10 bilhões liberados pela instituição para pré-custeio da safra no primeiro semestre.

Fonte: Valor

Matopiba está perto do limite, diz estudo

[0] Deixe seu comentário 24 de Novembro de 2016 às 04:43hs

Matopiba está perto do limite, diz estudo

 

Foco de boa parte dos investimentos realizados para alavancar a produção de grãos no país, o Matopiba está próximo do limite de sua capacidade de expansão. A região, que atraiu nos últimos anos centenas de produtores rurais em busca de terras baratas, tem hoje um estoque de área com aptidão para soja bastante restrito: menos de três milhões de hectares.

A constatação faz parte de um mapeamento inédito com o objetivo de identificar as áreas mais aptas para a produção agrícola no Cerrado. O bioma tornou-se a "nova fronteira" agrícola brasileira depois da exaustão de regiões rurais consolidadas no Sul e Sudeste e das limitações ambientais para o plantio na Amazônia.

Realizado pela consultoria Agroicone, o estudo faz uma recomendação surpreendente: os produtores devem evitar o Matopiba (confluência de Maranhão, Tocantins, Piauí e o Oeste da Bahia) e priorizar investimentos nas áreas de Cerrado localizadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e até em São Paulo.

"A compra de terras baratas em Matopiba foi um raciocínio equivocado do ruralismo de fronteira, baseado no ganho patrimonial. Mas não tem tanta terra com aptidão para soja. E a crise climática será pior ali que em Goiás, por exemplo", diz Arnaldo Carneiro Filho, diretor de Gestão Territorial Inteligente da Agroicone e um dos autores de "A expansão da soja no Cerrado". Sem pestanejar, ele sentencia: "A expansão agrícola em Matopiba é certamente uma roubada".

Segundo os pesquisadores, há hoje no Cerrado ao menos 25,4 milhões de hectares - território do tamanho do Paraná - de terras já antropizadas (alteradas pelo homem) e com alta aptidão para a agricultura. A extensão mostra que é possível plantar sem desmatar áreas nativas remanescentes, como defendem ambientalistas, governo e já parte do agronegócio.

Mas a maior parte dessa área de alta aptidão, ou 22,5 milhões de hectares, está fora das delimitações geográficas do Matopiba. São pastagens espalhadas pelo Brasil central. No Matopiba restam só 2,8 milhões de hectares de pastos com as condições ideais similares para o plantio de grãos, levando-se em consideração declividade e altitude de terrenos.

Olhando por outro lado, há no Matopiba o dobro (6,4 milhões de hectares) de pastagens com baixa aptidão à soja, um risco potencial de investimento para desavisados.

A análise do Agroicone levantou dados georreferenciados sobre o bioma, permitindo entender a dinâmica da ocupação e o uso do solo entre 2000 e 2014, período de grande avanço da soja na região.

Nesses 14 anos, o plantio de soja no Cerrado cresceu 87%, quase 70% em áreas já ocupadas com outras culturas e pastagem. No Matopiba a soja se espraiou sobretudo sobre a vegetação nativa: 780 mil hectares (68% da área semeada) entre 2000 e 2007 e 1,3 milhão de hectares (62%) no período seguinte.

Se contabilizadas as áreas de alta aptidão com vegetação nativa, o Matopiba ganharia 4,2 milhões de hectares de capacidade de expansão de grãos, contra 8,3 milhões de hectares no restante do Cerrado. "Mas não é preciso desmatar. Há pasto suficiente, com aptidão, para converter a grão", diz Carneiro.

A delimitação da expansão da soja no Matopiba segundo a aptidão das áreas é um vetor novo que embaralha o cenário preocupante de quem se posicionou na região.

Os problemas climáticos registrados nas últimas três safras - intensificados em 2015/16 pelo El Niño - levantaram dúvidas sobre a viabilidade de plantar grãos nessa região do país, responsável por quase 10% da produção nacional. Muitos que compraram terras em Matopiba viram o chão trincar sob o calor nesses anos e a renda evaporar, elevando as dificuldades financeiras de produtores em grande parte já descapitalizados.

Segundo Glauber Silveira, presidente da Aprosoja, associação que reúne produtores, as restrições existem na "nova fronteira". Ele diz que as melhores terras foram compradas por quem chegou primeiro e que a "mudança de mãos" de propriedades com menor rentabilidade deve se intensificar agora.

"Houve uma corrida para Matopiba, mas os [produtores] 'top' não foram para lá. Por que você acha que um Eraí Maggi não está em Matopiba?", questiona. "Muitos foram porque era barato e quebraram a cara. Tem pastagem, mas é caatinga (sic). E a cada cinco safras, três quebram. A saída é evoluir em tecnologia e na produtividade".

Nos últimos anos, o grande afluxo de aportes permitiu o avanço para áreas marginais no Matopiba, elevando a frustração gerada com terrenos pouco aptos ou custosos para render boas produtividades. Nesse contexto, empresas como Vanguarda e SLC passaram a olhar com atenção para regiões consolidadas, como Mato Grosso, em detrimento do Matopiba.

Fonte: Valor Econômico

Startups brasileiras apostam no potencial do agronegócio para crescer

[0] Deixe seu comentário 21 de Novembro de 2016 às 20:58hs

O mundo das startups vive de ciclos: depois dos sites de comércio eletrônico, da digitalização de serviços como táxi e entrega de comida e das fintechs, agora é a vez do campo. Com ajuda de tecnologias como sensores inteligentes, Big Data e imagens de satélite, startups apostam que o agronegócio é a próxima bola da vez do empreendedorismo tecnológico no Brasil.

Segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), hoje há 72 empresas no País no setor - conhecido como agtech ou agritech. A área teve crescimento de 70% em relação ao ano passado e a previsão da associação é que esse número triplique até o final de 2017. “O Brasil é uma potência do agronegócio. Hoje, o agricultor é um cara high tech, mas ainda carente da inovação das startups”, diz Maikon Schiessl, que coordena o comitê de Agtech da ABStartups. 

Uma das empresas é a Agrosmart, que quer usar a tecnologia para melhorar a eficiência de irrigações - a promessa é economizar até 60% da água utilizada hoje. Para isso, a empresa usa sensores inteligentes no meio das plantações, metereologia e imagens de satélite, explica Mariana de Vasconcelos, sócia-fundadora da companhia. 

Filha de produtores de milho em Itajubá (MG), Mariana percebeu o potencial de sua ideia em setembro de 2014, durante a crise hídrica que abateu a região Sudeste. “Sofremos muito, o ambiente atrapalha o resultado da lavoura”, diz. De lá para cá, a empresa passou por dois processos de aceleração - do Startup Brasil e do Google - e recebeu US$ 1 milhão em investimentos do Fundo de Inovação Paulista, do governo estadual. 

Hoje, a Agrosmart tem 15 pessoas - a maior parte fica em Campinas, escolhida pela proximidade com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), polo de pesquisas no setor. O custo de monitoramento varia de R$ 30 a R$ 300 por hectare e a empresa deve começar 2017 com 400 mil hectares monitorados. 

Polos

A proximidade com a academia é um fator importante para agritechs: segundo a AB Startups, 53% das empresas do setor têm, entre seus membros, pelo menos um mestre ou doutor. “Precisamos tirar a inovação das gavetas de artigos científicos e transformá-la em negócios”, diz Mateus Mondin, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo.

Localizada em Piracicaba, a 164 km de São Paulo, a instituição quer formar um polo de inovação ao seu redor, reunindo empreendedores, investidores e produtores rurais. “Queremos que a Esalq seja a Stanford para as startups do agronegócio”, diz Mondin, A referência não é à toa: a instituição americana foi berço para grupos como Google, Instagram e Snapchat. 

Além de gerar inovação, é importante fazê-la chegar ao campo: pensando nisso, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) criou em outubro o Agrihub, ponto de contato entre empresas, investidores e produtores rurais. “Quero que o produtor consiga descobrir a tecnologia que pode ajudá-lo, encontrar um investidor para manter a startup viva em seu processo de pesquisa e fazer contato com instituições e governos”, explica Heygler de Paula, diretor operacional do Agrihub. Entre as empresas que se associaram, estão a Agrosmart e a Agronow - esta última, liderada por Antonio Morelli, ex-pesquisador da USP. 

Com ajuda de imagens de satélite, o sistema criado pela Agronow pode levantar dados agrícolas de uma propriedade específica em qualquer época. “Com um botão, sei quanto o agricultor produz, colhe e o potencial de produção que ele tem”, diz Morelli, que criou a empresa em novembro de 2015. 

Hoje, a empresa tem 280 clientes e 12 funcionários divididos em escritórios em São José dos Campos e na Argentina. Para ter acesso aos dados, o agricultor paga assinatura mensal - de R$ 19 90 por mês, com adicional de R$ 1 por hectare analisado. 

A movimentação do setor não passa despercebida por grandes empresas (leia mais abaixo) e fundos de investimento. Conhecido por aportes em startups como Loggi e 99, o Monashees aplicou US$ 3 milhões na Strider em junho de 2016. 

Fundada há três anos, a empresa tem hoje 50 funcionários, e monitora mais de 1,2 milhão de hectares nas Américas e na Austrália. Seu sistema combina imagens de satélite, colheita de dados no campo e análise de Big Data para mostrar para o agricultor, por exemplo, como melhorar seu controle de pragas. 

Todos os dados podem ser visualizados por um aplicativo para celular ou em uma plataforma online. A empresa também sugere atividades que o agricultor pode fazer no dia seguinte para melhor controle da plantação. 

Dificuldades

Nem tudo são flores, porém, no mundo das agritechs. Uma das principais dificuldades é o timing dos negócios: para ser bem sucedida, toda startup precisa conseguir validar sua hipótese para resolver um problema. No mundo agrícola, é preciso esperar um ou dois ciclos de safra - que podem durar de quatro meses até um ano - para saber se a tecnologia de fato funciona. “O investidor que está acostumado com outros modelos de startup pode se assustar com o ritmo mais tranquilo das agritechs”, diz Mondin, da Esalq. “Isso pode afastá-lo e manter as empresas por mais tempo em estágio inicial ”. Para o docente, isso reduz a velocidade dos negócios e também pode aumentar a taxa de mortalidade das startups.

Além disso, também é preciso convencer os agricultores de que a inovação tem valor real. “O produtor rural já tem contato com tecnologia, mas é desconfiado: nesse meio, existe muito milagre e muita decepção”, diz Paulo Vianna, da Strider. “Apresentar uma tecnologia para o agricultor tem um custo muito maior do que mostrar um aplicativo para um jovem da cidade”, avalia Mondin, da Esalq.

Fonte: Estadão

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