Em poucas linhas

Brasileiro de Caraúbas – RN, último diretor da antiga ESAM, primeiro reitor pró-tempore da UFERSA nomeado pelo então presidente Lula e primeiro reitor eleito. Como reitor criei a UFERSA em Mossoró, Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros. Instalei 33 cursos de graduação e 10 mestrados e doutorados. Casado e pai de quatro filhos. Leio sobre economia, inovação e empreendedorismo. Adoro conhecer o nosso Semiárido e o meio rural. Gosto de praia e off-road. Sou entusiasta de projetos inovadores para a educação.

A educação agora é tratada por uma MP

[0] Deixe seu comentário 24 de Setembro de 2016 às 21:24hs

A semana terminou com uma péssima notícia para a educação básica do país. O Governo Federal apresentou um plano para flexibilizar o ensino médio, alterando a grade curricular. A decisão do Governo de realizar a reforma foi alvo de críticas por muitos especialistas da área. Não era para ser diferente, pois o ensino médio tem cerca de 8 milhões de alunos (setores público e privado), com uma taxa de abandono de 6,8% e uma taxa de reprovação de 11,5%. Já o ensino fundamental tem uma taxa de abandono de 1,9% e uma taxa de reprovação de 8,2%. Como fazer uma reforma num setor tão complexo e tão lento nas mudanças através de uma Medida Provisória, deixando de lado a discussão entre os educadores? Todos sabemos que não há segredo para se alcançar avanços na área de educação. Primeiro, qualquer proposta precisa de adesão e atenção dos educadores e da sociedade de uma forma geral. As mudanças precisam ser discutidas e apresentar um certo consenso para que possam ter sucesso quando aplicadas na prática.

            A proposta apresentada pelo MEC não representa avanço em investimentos. O valor apresentado pelo MEC como investimento na reforma é inferior ao que era repassado pelo ProEMI (Programa de Ensino Médio Inovador) em execução no MEC há mais de cinco anos. O ProEMI aplica R$ 2,8 mil por aluno/ano, enquanto que agora o MEC está propondo R$ 2 mil.

            A reforma proposta pelo MEC não mostra as medidas que serão adotadas para reduzir o déficit de aprendizagem dos alunos que ingressam no ensino médio e também não revela como atacar os problemas de aprendizagem nas séries finais do ensino fundamental. A pressa nesse caso não se aplica.

            A reforma apresentada pelo MEC é uma maquiagem. Não mostra como serão enfrentados os problemas de infraestrutura das escolas, valorização dos profissionais da educação, número adequado de alunos por turma e metodologia de ensino.

Expofruit 2016: Dinamismo da Fruticultura em tempos de crise hídrica

[0] Deixe seu comentário 23 de Setembro de 2016 às 12:28hs

A Expofruit 2016 chega hoje ao seu último e terceiro dia de portas abertas para que as diversas empresas produtoras de frutas tropicais e de empresas agregadas ao segmento da Grande Região Jaguaribe-Apodi possam receber os visitantes e fechar negócios.

A feira é a maior do Norte e Nordeste e neste ano conseguiu alocar todos os estandes disponíveis para o setor produtivo. Estão presentes na feira as empresas dos seguintes setores: empresas de insumos (mudas e sementes), empresas de insumos químicos (fertilizantes e agroquímicos), empresas produtoras de frutas, hortaliças, raízes e turbérculos, empresas do setor de comercialização, empresas de máquinas e equipamentos agrícolas e empresas de logística. Há também vários estandes de empresas públicas que desenvolve direta ou indiretamente atividades ligadas ao produtor rural de frutas. 

Os principais estandes de empresas produtoras de frutas são pertencentes a Agrícola Famosa, Brazil Melon e a Copyfrutas (envolve vários médios produtores de Mossoró).

Um destaque importante da feira é a presença no Estande do Sebrae de vários pequenos produtores de frutas e a participação de produtores de frutas orgânicas. 

Conversamos pessoalmente com o presidente do COEX (Comitê Fitossantário da Fruticultura do Rio Grande do Norte) e da ABRAFRUTAS (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadoras de Frutas Tropicais) e sócio da Agrícola Famosa, Luiz Roberto Barcelos que estava muito satisfeito com a participação das empresas na Expofruit 2016.

 

 

Boas perspectivas para as culturas de coco e manga no Semiárido

[0] Deixe seu comentário 22 de Setembro de 2016 às 02:14hs

Um estudo global da Tetra Pak realizado sobre o consumo de sucos 100% integrais revelou que o consumo de sucos integrais vai crescer acima de 36% até 2018. No Brasil o consumo de suco integral em caixinhas (incluindo água de coco) subiu em torno de 30% ao ano a partir de 2012, saindo de 167 milhões de litros para 361 milhões no ano passado.

            No Brasil o consumo de sucos 100% naturais pronto para beber (incluindo água de coco) é baixo quando comparado ao volume total de sucos integrais, equivalendo a apenas 12,6%.  O consumo de sucos feitos em casa ou em bares e restaurantes chega a 2,5 bilhões de litros ao ano. Esta proporção entre 0s sucos envasados e os feitos na hora tende a permanecer inalterada nos próximos anos. No entanto, alguns sucos integrais tendem a avançar na aceitação do brasileiro, tais como: sucos funcionais (detox e com antioxidantes), misturas (frutas e verduras), sucos nos sabores cranberry, manga e água de coco; e bebidas ditas totalmente naturais, ou seja, que não possuem adição de açúcar, que usam ingredientes orgânicos e não são transgênicos.

            Em relação aos sabores tradicionais, o consumo de água de coco continuará avançando no Brasil. Atualmente, a água de coco responde por 62% da venda de sucos integrais prontos, o que correspondeu no ano passado a um consumo de 106,1 milhões de litros.

            A tendência de aumento no consumo de água de coco no país está em sintonia com o aumento da área plantada com coco na região Semiárida. Há várias áreas sendo implantadas, apesar de que a ampliação foi muito prejudicada pela seca dos últimos cinco anos.

UFERSA: de gigantinho a anã

[0] Deixe seu comentário 20 de Setembro de 2016 às 19:09hs

 

Iniciamos a gestão da nossa instituição com um orçamento de capital (recursos financeiros para aquisição de equipamentos e para obras de infraestrutura) da ordem de R$ 150 mil por ano e pactuamos com o MEC para 2013 um orçamento de capital de R$ 48 milhões e a partir de 2005 conseguimos abrir no MEC a rubrica para Emenda de Bancada que a partir da LOA de 2012 aproximou-se de R$ 10 milhões, o que elevou o orçamento de capital da nossa IFES para R$ 58 milhões. Este valor poderia, sem muitos milagres, ter sido incrementado em 20%. Infelizmente, a gestão de um dígito do atual reitor não desenvolveu competência para captar recursos de capital junto ao MCTI, MEC, agências de financiamento como a FINEP, Embrapa, CAPES, FAP's entre outras.  

Vamos fazer um cálculo simples para verificarmos o incremento nos recursos de capital da nossa instituição. Aqui não estamos nos referindo aos recursos de balcão anunciados pela atual gestão no início do primeiro mandato e que nunca passaram do perímetro do Planalto Central, que há época, sem correção da inflação, eram da ordem de R$ 56 milhões. Vamos nos limitar apenas ao que foi assegurado no DOU. Também não estamos nos referindo aos recursos de custeio nem aos recursos para pagamento de pessoal. Faremos isto em outra oportunidade.

Vejamos abaixo a situação financeira da UFERSA em 2013 e em seguida podemos verificar que a UFERSA era um gigantinho na captação de recursos de Brasília, mas infelizmente, hoje não passa de uma IFES anã.

 

O orçamento do Governo Federal aprovado pelo Congresso Nacional para investimento em 2013 foi de R$ 86,3 bilhões;

O orçamento do MEC para investimento em 2013 foi de R$ 9,8 bilhões, o segundo maior entre os 38 ministérios;

O orçamento para investimento da UFERSA aprovado no OGU 2013 foi recorde na história da instituição. Era superior ao de 19 ministérios;

A UFERSA conseguiu em 2013, cerca de R$ 58 milhões. Foram poucas as IFES que aprovaram este quantitativo de recursos no OGU 2013. Desse montante, R$ 48 milhões foram pactuados com a Sesu e R$ 10 milhões foram oriundos de Emenda de Bancada, cuja rubrica foi aberta a partir de 2005 após longa negociação com a Bancada do RN;

Este orçamento recorde ocorreu após um longo ciclo de grandes investimentos tanto na UFERSA sede como no programa de expansão territorial;

A UFERSA a partir de 2013 passou a trabalhar com relativa autonomia financeira, em função das pactuações favoráveis com a SESu para a construção da UFERSA Caraúbas e da UFERSA Pau dos Ferros;

A partir de 2013 ainda havia uma quantidade razoável de recursos a ser liberada pelo MEC para a UFERSA Caraúbas e para a UFERSA Pau dos Ferros, sendo que esta última tinha uma folga mais ampla, em função de que as etapas I e II foram construídas com recursos de Emenda de Bancada;

A nossa expectativa era a de que a cada ano a UFERSA tivesse ampliado a sua capacidade de captação de recursos junto ao MEC e a outros ministérios. Mas, a realidade é outra. Atualmente é uma das IFES que capta menos recursos junto ao MEC e que praticamente zerou a captação de recursos de bancada e de recursos em outros ministérios ou em agências internacionais.

            A última tentativa da atual gestão na captação de recursos mais significativos aconteceu quando foi anunciado em 2013 o Parque Tecnológico de Caraúbas. Pelo que temos de conhecimento dentro da IFES, nem o projeto do parque foi elaborado. Portanto, o MCTI fechou as portas e nunca recebeu se quer o rascunho desse projeto. Este é apenas um exemplo que mostra o principal motivo para a atual situação financeira da UFERSA. Faltam projetos, ideias, articulação, competência no relacionamento com a força política do Estado no Congresso Nacional e com o Governo Estadual.

A atual situação pode ainda piorar muito, pois o Governo está anunciando que vai fazer uma faxina geral nos programas e projetos do Orçamento da União para conter despesas enquanto a reforma da Previdência não resultar em contenção de despesas.

Números da educação brasileira

[0] Deixe seu comentário 19 de Setembro de 2016 às 21:35hs

O Brasil investe 3,5 vezes mais no aluno do ensino superior do que no aluno do ensino fundamental ou médio. O gasto público (seria melhor usar o termo investimento) por aluno (dados de 2013) é de US$ 13.540, pouco menos do que a média dos países da OCDE que é de US$ 15.772.

            Nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, o gasto por aluno é de US$ 3822, ante US$ 9.811 entre os países da OCDE. Da primeira a quinta série do ensino fundamental o gasto por aluno no Brasil é de US$ 3.826 enquanto a média da OCDE é de US$ 8.477.

            O acesso ao ensino superior no Brasil está aquém do de vários países da América Latina. Apenas 14% dos brasileiros entre 24 e 64 anos haviam concluído um curso superior em 2015. Média menor do que a de 35% dos países da OCDE e de países latinos como Chile (21%), Colômbia (22%), Costa Rica (23%) e México (16%).

            O gasto público com a educação no Brasil, desde as primeiras séries do ensino fundamental até o término do ensino superior subiu de 4,1% para 5,5% do PIB. O país gasta mais que a média dos países membros da OCDE (4,7%) e de outros países da América Latina, como Chile (4%) e México (4,5%).

            Os professores brasileiros da educação básica são muito mal remunerados. O piso salarial profissional nacional dos professores da educação básica no Brasil é de US$ 12.337 por ano. A média dos países da OCDE é de US$ 31.000. Em países ricos como Suíça, Alemanha e Luxemburgo é de US$ 45 mil por ano.

Série: Agricultura Irrigada na Terra da Expofruit

[0] Deixe seu comentário 18 de Setembro de 2016 às 21:38hs

        Carta de Mossoró

A presença da EMBRAPA em Mossoró tem sido alvo de recentes discussões envolvendo os diversos atores voltados para o negócio rural do Rio Grande do Norte. Uma das reuniões mais significativas em relação a este assunto aconteceu em 2005, na Fazenda Famosa, uma das principais agroindústrias do Agropólo Mossoró e circunvizinhos. A reunião foi uma iniciativa do COEX/Sindicato Rural de Mossoró e Baraúna. A participação dos produtores e de entidades ligadas ao negócio rural foi expressiva. Representou a EMBRAPA o Diretor Executivo Geraldo Eugênio, atendendo a uma reivindicação da Governadora Vilma de Faria em recente audiência com o então presidente Sílvio Crestana. Estiveram presentes os chefes gerais da EMBRAPA Semi-Árido e da EMBRAPA Agroindústria Tropical. O resultado imediato da reunião foi o compromisso da liberação para a EMPARN – Escritório de Mossoró, localizado nas dependências da UFERSA, de três pesquisadores. O compromisso da EMBRAPA era liberar 10 pesquisadores. A reunião mostrou que a luta iniciada em 2005 estava apenas começando, pois até o momento apenas o pesquisador Marcos Moreira efetivamente está instalado em Mossoró.

 A UFERSA está colocando à disposição destes pesquisadores que irão se instalar em Mossoró a sua infra-estrutura de laboratórios e salas de apoio.

As grandes preocupações dos produtores no momento são: mosca minadora que aumentou em mais de R$ 500 por hectare os custos de produção da cultura do melão, a adoção de um plano de adubação para a cultura do melão e a ameaça de perda de mercado por causa dos resíduos de agroquímicos e pelos altos custos da cultura, que passaram de 8000 reais por hectare para cerca de 15000 reais.

         Atualmente a EMBRAPA se faz presente no RN através da EMPARN. A EMBRAPA possui 36 servidores lotados na EMPARN, dos quais 13 são pesquisadores. O Rio Grande do Norte é um dos seis estados da federação que não possui um centro nacional da EMBRAPA. A reitoria da UFERSA e a Diretoria da EMPARN estão defendendo o fortalecimento da EMPARN.

         Neste sentido, gostaríamos de contar com a colaboração dessa Chefia referente à liberação para a UFERSA do pesquisador José Maria Pinto.

            Informamos que na UFERSA o pesquisador se integrará à equipe do CTARN (Centro Tecnológico do Negócio Rural do RN), o qual está em fase final de instalação do seu escritório central localizado no Campus Leste da UFERSA.

 

Atenciosamente

 

Reitor

 

Josivan Barbosa Menezes Feitoza

Números do OGU 2017

[0] Deixe seu comentário 18 de Setembro de 2016 às 20:35hs

O teto para o gasto federal, em 2017, é de R$ 1, 316 trilhão, sendo que com a previdência social dos trabalhadores do setor privado e dos servidores públicos ele supera R$ 670 bilhões. A conta não fecha. Com os pagamentos muito aquém da arrecadação, o déficit está em trajetória explosiva. O déficit do regime geral está estimado em R$ 181,2 bilhões no próximo ano e mais R$ 75,5 bilhões do funcionalismo público civil. Resumindo, em 2017, o déficit total da previdência, excluindo os militares, será da ordem de R$ 256,7 bilhões.

Cultivo da uva no Vale do Açu - RN

[0] Deixe seu comentário 17 de Setembro de 2016 às 22:43hs

Após mais de 20 anos da primeira tentativa de instalação da cultura da uva no Vale do Assu, um grupo de empresários, em associação, tentaram novamente em 2008 implantar a cultura. A cultura da Uva foi testada pela primeira vez no Vale do Assu através das empresas Agro Know e Frunorte Ltda, nesta ordem. A Agro Know foi a primeira empresa a testar a cultura da uva, sendo seguida pela Frunorte em meados da década de 80. A área testada pela Agro Know foi instalada na primeira fazenda adquirida pelo Engenheiro Agrônomo e proprietário da empresa Davi Americano, como era conhecido. A fazenda localizava-se na entrada principal da cidade de Assu paralela ao Rio Açu.

            A Frunorte Ltda testou a cultura na Fazenda Baviera, localizada do lado esquerdo da RN Açu-Carnaubais, o mesmo local onde foi testada novamente a uva em 2008. Naquela oportunidade, a Frunorte Ltda trouxe um engenheiro agrônomo que conhecia a cultura na região de Juazeiro-Petrolina. Em 2008 o grupo de empresários trouxe um engenheiro agrônomo do Chile, tradicional país produtor e exportador de uva.

            O principal motivo que levou a Frunorte Ltda e a Agro Know a erradicarem as áreas com a cultura, foi a forte demanda dos mercados nacional e internacional por frutos de melão e manga, bem mais adaptados à região do Vale do Assu e menos exigentes em tratos culturais. Além disso, as empresas esperavam retirar até 2,5 safras por ano, o que não foi possível.

            Não conhecemos em detalhes os fatores que levaram ao insucesso em 2008, mas, a empresa passou um período de operação no Vale do Açu muito curto, sendo que a crise econômica na Europa afetou o seu funcionamento.

Sobral: um ponto fora da curva na educação do Semiárido

[0] Deixe seu comentário 17 de Setembro de 2016 às 22:23hs

Os resultados do último IDEB mostram que ao compararmos o desempenho médio dos alunos nos anos iniciais no município de Sobral com as redes municipais de São Paulo e Rio de Janeiro e com a rede privada do Estado de São Paulo verifica-se que o município cearense saiu de um IDEB em torno de 4 em 2005, bem próximo do IDEB de São Paulo e Rio de Janeiro e abaixo das escolas privadas de São Paulo, para um IDEB de 8,8 no ano passado. O IDEB do município de Sobral já era destaque desde 2011. Apesar da evolução ano a ano do IDEB de São Paulo e Rio de Janeiro, mas está agora bem abaixo do de Sobral.

            O desempenho de Sobral é fantástico, pois o IDEB 10 só é atingido por 1% dos alunos e o índice equivalente da OCDE para alunos de 15 anos é apenas um pouco acima de 6. Os resultados de Sobral se espalham por toda a rede de ensino do município (pública e privada).

            Os resultados conseguidos pelos alunos de Sobral  foram também registrados  em toda a rede de ensino do vizinho Ceará.

            Sobral mostra, também, bom desempenho dos seus alunos nas séries finais do ensino fundamental. O IDEB de Sobral nessas séries é de 6,7, abaixo apenas dos municípios de Nova Ponte (MG) e Brejo Santo também do Ceará.

O que explica os resultados de Sobral? Gestão na rede pública de ensino e com isto o município desenvolveu com competência a alfabetização dos alunos, monitorou a avaliação constante, cobrou com mais eficiência a competência de professores e gestores e implantou a política de bônus por desempenho dos profissionais da educação.

Série: Agricultura Irrigada na Terra da Expofruit

[0] Deixe seu comentário 15 de Setembro de 2016 às 20:02hs

UMA TENTATIVA DE RECUPERAÇÃO EMPRESARIAL PROMOVIDA PELA JUSTIÇA DO TRABALHO DE MOSSORÓ (RN).

 

 

                            Há dois anos que a Justiça do Trabalho de Mossoró (RN) trabalha incessantemente com o desiderato de procurar devolver ao meio econômico do Rio grande do Norte, o patrimônio do conglomerado MAÍSA.

 

                            Nome de empresa e de êxito empresarial no Brasil, a MAÍSA surgiu da determinação dos engenheiros civis e empresários Geraldo Cabral Rola, hoje residente no Estado do Ceará e José Nilson de Sá, do Rio Grande do Norte.

 

                            Uma verdadeira epopéia se revelou a MAÍSA, pois por meio dela e de seus experimentos veio a ser descoberta uma vocação econômica para uma vasta região do semi-árido nordestino que não tinha opção de exploração econômica.

 

                            Antes dela existiam apenas salinas e criação de gado bovino e caprino.

 

                            A Justiça do Trabalho celebrou em maio de 2006 um mega acordo que se destina a satisfazer os créditos dos trabalhadores e a retornar a atividade de plantio em terras que não foram desapropriadas pelo INCRA.

 

                            Em dezembro de 2003 a Presidência da República desapropriou 19.500 hectares, onde se acha sendo implantado o Projeto de Assentamento denominado por MAÍSA, em que se acham assentadas em dez (10) agrovilas 1.150 famílias, perfazendo ao todo uma população de cerca de 7.500 pessoas com capacidade de trabalho.

 

                            Em suas proximidades existe a “Vila MAÍSA”, conjunto residencial que conta em torno de 600 casas e em torno de três mil habitantes.

 

                            Próximo a “Vila MAÍSA” se encontram implantadas duas indústrias, sendo uma destinada ao processamento de sucos, doces e polpas de frutas, recebida em pagamento de créditos decorrente de financiamentos concedidos pelo BANCO DO BRASIL S.A., com valor de venda de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais), em fase de reavaliação por aquela instituição financeira, e a fábrica de beneficiamento de castanha de caju, constituída por seis grandes galpões com área em torno de cinco hectares, próxima a qual se acha edificado o Centro Administrativo MAÍSA, além de duas glebas de terras que eram destinadas a realização de experimentos com plantas e desenvolvimento de plantas de maior produtividade, uma com em torno de 140 hectares (Parte denominada de “POMAR”) e uma outra com 180 hectares [denominada por “Poço Dez (10)”], em que se acha perfurado um poço profundo que abastece as unidades industriais de água de ótima qualidade, além de água para os moradores da “Vila MAÍSA”. O complexo da fábrica, esses dois terrenos e uma “packing house” (unidade de beneficiamento de melão) atualmente tem autorização para ser alienado pela Justiça do Trabalho, por venda judicial e inteiramente livre de todos e quais ônus, pela importância de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais).

 

                            A Justiça do Trabalho se acha autorizada a vendar a “Marca MAÍSA” para uso na exploração em beneficiamento de caju e de seu óleo por R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).

 

                            Há previsão e autorização para a Justiça do Trabalho de poder se alienar o acervo da fábrica de castanha, packing house, as duas glebas de terra (Pomar e Poço dez), por 50% (cinqüenta por cento) a vista e o restante em 24 (vinte e quatro) parcelas, a critério do magistrado do trabalho.

 

                            A venda a estrangeiro ou a em empresa estrangeira só é permitido para aqueles que se achem presentes no país há mais de um ano. A medida visa afastar a ocorrência de lavagem de dinheiro.

 

                            No ano passado a Justiça do Trabalho por volta do mês de abril vendeu a propriedade rural denominada “Pedra Preta”, com área de 572 hectares, que foi adquirida pela POTYFRUTAS, que se trata de uma sociedade cooperativa constituída por ex-engenheiros agrônomos do “Grupo MAÍSA”.

 

                            No ano passado nos meses de setembro para outubro, houve a instalação de um acampamento pelo movimento dos trabalhadores sem terra (MST), o qual se direcionou a solicitar ao INCRA no Rio Grande do Norte, a efetivação de desapropriação de três glebas passíveis de desapropriação.

 

                            A permanência do movimento social se deu de maneira ordeira, não sendo causado qualquer prejuízo a POTYFRUTA, nos plantios de melão que se encontravam sendo iniciado a sua implantação.

 

                            Após breve negociação com o Supervisor do INCRA, embora existisse liminar deferida pela Justiça Estadual, da lavra do ilustre magistrado, Dr. Francisco Seráfico da Nóbrega Coutinho, juiz titular da 3ª Vara Cível de Mossoró (RN), os integrantes do movimento se retiraram após negociação no sentido de que seria providenciada pelo INCRA a documentação necessária ao encaminhamento do procedimento de desapropriação das três glebas pretendidas e sujeitas a reforma agrária.

 

                            Qualquer das propriedades – “Pedra Preta”, (572 hectares), “Pomar” (140 hectares) e “Poço Dez” (180 hectares) não são passíveis de desapropriação para reforma agrária, por não se constituírem latifúndio.

 

                            Em especial a “Fazenda Pedra Preta” que atualmente tem quase sua metade plantada e emprega mais de cento e vinte trabalhadores rurais com direitos trabalhistas assegurados pelo “Grupo POTYFRUTAS”.

 

                            Na próxima safra a área plantada deverá ser ampliada, a despeito da baixa da cotação do dólar americano, que regula o preço de aquisição dos insumos necessários á produção da lavoura do melão.

 

                            As glebas “Pomar” (140 hectares) e “Poço Dez” (180 hectares) não são passíveis de desapropriação para reforma agrária e tem uma peculiaridade muito especial – por se constituírem em campos de experimentos, são de alta fertilidade, pois durante anos se introduziu nelas fertilizantes de ponta, que permanecem incorporados a terra.

 

                            A falta de atendimento pelo INCRA as reivindicações do MST redundou em que no último sábado, dia 08, alguns integrantes do movimento social acamparam de maneira precária em parte da propriedade “Poço Dez”, como estratégia direcionada a exigir a satisfação do andamento do procedimento de desapropriação não atendido pelo INCRA.

 

                            Em contato mantido com o Supervisor do INCRA, Sr. MÁRIO MOACIR, foi-nos informado no início da noite de hoje que amanhã iria comparecer a Mossoró (RN), para manter entendimento com o líder do MST, o Sr. Raul.

 

                            Explicou o Sr. MÁRIO MOACIR que houve retardo no fornecimento de certidões por cartórios de imóveis das localidades dos imóveis em que se situam os imóveis.

 

                            Além dessa circunstância, para agravar surgiu o movimento reivindicatório da Advocacia da União, para garantir a satisfação pelo Governo Federal de acordo de adequação e melhoria salarial para a carreira.

 

                            A adição dessas duas circunstâncias redundou no inconveniente da ocupação parcial, na parte frontal próxima a BR 304, da propriedade “Poço Dez (10)”.

 

                            No entanto, no curso do dia de manhã (terça-feira), o diretor do INCRA manterá contatos com a liderança do MST, o Sr. Raul.

 

                            Cabe lembrar a maneira ponderada com a qual se portou o MST e a sua liderança, no caso da parcial ocupação da “Fazenda Pedra Preta”, aspecto que viabiliza uma boa negociação e a obtenção de êxito nos entendimentos a serem mantidos com o INCRA, através de seu Supervisor, Sr. MÁRIO MOACIR.

 

                            Na tarde de amanhã, terça-feira, dia 11, por volta das 16:00 horas, em sede social existente na “Vila MAÍSA”, líderes comunitários da “Vila MAÍSA” e de boa parte das lideranças dos integrantes dos dez (10) assentamentos estabelecidos no “Projeto Fazenda MAÍSA” se encontrarão com o Supervisor do INCRA, Sr. MÁRIO MOACIR, para externar a sua preocupação e postulação de uma vez por todas afastar a realização de manifestações do MST em imóveis do complexo MAÍSA, para não afastar a atenção de empresários que possam vir a restabelecer a fábrica de castanha e atividade econômica nas duas glebas de terra de que se faz menção.

 

                            A mencionada reunião foi solicitada a nossa presença para prestar esclarecimentos às lideranças comunitários, sobre o andamento do acordo e outros aspectos, já tendo confirmado o nosso comparecimento.

 

                            O restabelecimento da atividade da fábrica de beneficiamento da MAÍSA se afigura como o grande reinício de um projeto destinado ao incremento da fruticultura na região, pois viabilizará a realização de introdução de cajueiros anões e precoces produtores de castanha de ótima qualidade para a indústria, objeto de pesquisa nos laboratórios da MAÍSA e do qual a UFERSA (antiga ESAM) detém o conhecimento de como se produzir as mudas.

 

                            De outro lado, houve a formulação por executivo de empresa de fruticultura no Estado, de um grande projeto destinado ao incremento da fruticultura no Estado, na sub-região da “Mesopotâmia Nordestina” (território compreendido entre os rios Açu/RN e Jaguaribe/CE), que dentro de dias estará sendo passado às mãos da Exmª Srª Governadora do Estado, Professora Vilma Maria de Faria.

 

                            Aqui se tem também que noticiar a existência de negociação de empresário da região com grupo empresário italiano especializado na cultura da uva.

 

                            Se concretizado surgirá uma nova perspectiva para a fruticultura do Rio Grande do Norte, especialmente se posteriormente se partir para a produção de vinhos.

 

                            Sobre o vinho há de notar que vinícolas estabelecidas no Estado de Pernambuco, como a “Terranova” (grupo Miolo), “Rio Sol” e outras, já tem os seus produtos exibidos em super mercados e em casas especializadas, que são vendidos pelo equivalente a mais de dez dólares americanos (R$ 17,00 – dezessete reais).

 

                            Esse será um novo desafio onde experimentos de empresários e da UFERSA apresentarão a resposta e vencerão obstáculos para consolidar esse novo produto e essa nova formação de promissor produto valorizado tanto pelo mercado interno como externo.

 

                            O vinho será uma nova cultura, um novo caminho para a “Mesopotâmia Nordestina”, parte integrante da “Califórnia Brasileira”, que começa em nosso Rio Grande do Norte e se estende até o Rio São Francisco em Pernambuco/Bahia.

 

                            O projeto de segurança hídrica representado pela transposição do rio São Francisco, que o atual governo da Nação completará ao menos o tronco leste (Pernambuco - Paraíba), com a manutenção de total enchimento do açude de “Poço da Cruz”, situado no município de Ibimirim (PE), que se trata do quarto açude de nossa Região (1º “Castanhal”; 2º - “Orós” e 3º “Armando Ribeiro Gonçalves”) e a perenização do Rio Ipojuca, que tem a sua nascente em Arcoverde, na Serra do Mimoso (PE) e do rio Paraíba, cujas nascentes se situam no município de Monteiro (PB).

 

                            Esses são esclarecimentos que cabem ser externados quanto à questão da presença de integrantes do MST na parte frontal da propriedade “Poço Dez”, para que não se possa apresentar distorções que prejudiquem o reinício das atividades da “Fábrica de Beneficiamento de Castanha e Óleo de Castanha de Caju” e reínicio de atividade econômica nas glebas “Poço Dez” e “Pomar”.

 

                            Amanhã será um novo dia, que com certeza se apresentará como importante para a vitória da sociedade e da cidadania, e a devolução à atividade produtiva do ícone sagrado MAÍSAFAZENDA SÃO JOÃO, sonho transformado em realidade dos pioneiros da fruticultura no Rio Grande do Norte, os engenheiros e empresários Geraldo Cabral Rola, José Nício de Sá, e o ex-deputado federal e governador, Dr. Tarcísio Vasconcelos Maia.

 

                            Dos sonhos é que surgem as grandes transformações e realizações da humanidade.

 

                            A nós, cabe o dever quase que sagrado de não deixar cair o bastão deixado como resultado um trabalho sério e importante no presente e no futuro, para o povo, a população e às futuras gerações de Rio Grande do Norte e Ceará, e à Nação brasileira.

 

                            Vamos ao trabalho, vamos à vitória da sociedade!

 

Natal (RN), 10 de março de 2008.

 

 

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JOSÉ DARIO DE AGUIAR FILHO.

- Juiz do Trabalho –

2ª Vara de Mossoró (RN).

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