Em poucas linhas

Brasileiro de Caraúbas – RN, último diretor da antiga ESAM, primeiro reitor pró-tempore da UFERSA nomeado pelo então presidente Lula e primeiro reitor eleito. Como reitor criei a UFERSA em Mossoró, Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros. Instalei 33 cursos de graduação e 10 mestrados e doutorados. Casado e pai de quatro filhos. Leio sobre economia, inovação e empreendedorismo. Adoro conhecer o nosso Semiárido e o meio rural. Gosto de praia e off-road. Sou entusiasta de projetos inovadores para a educação.

Universidade federal ganha mais alunos negros e de baixa renda

[0] Deixe seu comentário 26 de Agosto de 2016 às 07:05hs

Os alunos negros, de baixa renda e que cursaram o ensino médio em escolas públicas são maioria nas universidades federais, de acordo com estudo divulgado ontem pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Em 2014, 51,43% dos estudantes que participaram do levantamento vinham de famílias com renda bruta de até três salários mínimos, ante 40,66% em 2010, data da pesquisa anterior. As mulheres são 53% dos alunos, percentual estável sobre 2010.

"As nossas universidades hoje expressam melhor a composição social do país. A cara da universidade é a cara da sociedade brasileira. Uma universidade com maioria feminina e presença popular e negra", disse a presidente da Andifes e reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Ângela Maria Cruz. Na visão da entidade, a mudança de perfil é reflexo de políticas públicas como a unificação dos exames de entradas nas universidades públicas e a Lei de Cotas para os vestibulares das universidades e institutos federais.

De acordo com a quarta edição da "Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Instituições de Ensino Superior Brasileiras", 10,6% dos estudantes das universidades federais em 2014 eram de famílias com renda bruta acima de dez salários mínimos.

Em 2010, ano da pesquisa anterior, 16,72% estavam na escala superior de renda, nas famílias com renda média bruta maior que dez salários mínimos. "É o fim do velho mito de que as instituições federais de ensino superior são redutos da elite brasileira", afirmou a presidente da Andifes.

Ao todo, 62 universidades (de um total de 63) participaram e mais de 130 mil estudantes responderam à pesquisa da Andifes, o que representa 10% do universo de alunos matriculados na rede de ensino superior federal.

De acordo com os dados de 2014, 47,57% dos alunos se declaram pretos ou pardos e 45,67%, brancos. A maior participação dos negros nas universidades federais vem crescendo nas estatísticas desde 2003, ano em que a Andifes realizou a pesquisa pela primeira vez, quando 59,4% dos estudantes eram brancos e 34,2% pretos ou pardos.

Em 2010, 53,93% dos estudantes eram brancos e 40,8% pretos ou pardos. Como comparação, a pesquisa traz os dados do Censo de 2010, no qual 45,48% da população se declarou como branca e 53,63% como preta ou parda.

Outra revelação da pesquisa é que a maioria dos estudantes de universidades públicas fez todo o ensino médio no sistema público de ensino. Dos alunos que responderam a pesquisa, 60,16% assinalaram essa opção. Outros 3,86% responderam que fizeram a maior parte dos estudos em colégio público, enquanto 31,49% estudaram apenas em escolas particulares e 4,49% passaram a maior parte do ensino médio no sistema privado.

Para a presidente da Andifes, a mudança de perfil das federais reflete o "advento, nesses últimos anos, do Sistema de Seleção Unificada [Sisu], da política de cotas e do Programa Nacional de Assistência Estudantil, que fez com que essa população se interessasse e ingressasse na universidade."

Na avaliação de Ângela, o momento é de reforçar as políticas de assistência estudantil, porque, como mostra a pesquisa, um grande número de estudantes ainda precisa trabalhar durante os estudos, o que atrapalha o aprendizado.

De acordo com o levantamento, 35,39% dos estudantes trabalham e, por conta disso, dedicam um número menor de horas aos estudos. Desse total, 45,72% dedicam menos de cinco horas de estudo extraclasse. "Há alguns cursos para os quais isso é impeditivo", explica afirmou Ângela.

Em meio à crise e ao ajuste fiscal, a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte reconhece haver um certo temor em relação à política do presidente interino Michel Temer para o setor de educação. "Temos temores, mas não ficamos resguardados nessa temeridade", afirmou Ângela, questionada sobre o assunto. Segundo ela, é "providencial" que o resultado desse perfil esteja sendo publicado agora. "É com esse material que temos de conversar com a sociedade em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade."

 

Fonte: Valor Econômico

Visita à Estrada do Cajueiro e à nova fronteira agrícola

[0] Deixe seu comentário 25 de Agosto de 2016 às 21:40hs

Estrada do Cajueiro e nova fronteira da agricultura irrigada

 

Na última sexta-feira, 19 de agosto visitamos a Estrada do Cajueiro (BR 437) no trecho compreendido entre o distrito de Jucuri e o Km 90 (Estrada pavimentada entre a cidade de Tabuleiro do Norte e o distrito de Olho Dágua da Bica – CE 358). 

A situação das comunidades rurais tradicionais (Boa Sorte, Veneza e Baixa Branca) e dos assentamentos (Recreio, Santa Clara e Boa Sorte) ao longo dos 32 km que ficam no lado do Rio Grande do Norte é delicada. A estrada não tem nenhum sinal de manutenção até a comunidade de Boa Sorte. A partir desse ponto, percebe-se uma pequena melhoria na trafegabilidade decorrente da colocação de piçarra pela gestão municipal de Baraúnas há cerca de 5 anos. 

O êxodo rural é marcante ao longo dos 32 km que ficam do lado do Rio Grande do Norte. Há inúmeros imóveis rurais abandonados, sendo que alguns eram de qualidade razoável (casas de alvenaria alpendradas com galpão lateral e protegidas por cercas).

Nas comunidades rurais tradicionais não percebe-se nenhum avanço na qualidade de vida dos moradores, com a impressão de que há um afastamento generalizado de apoio dos serviços públicos, principalmente transporte, serviços de saúde, segurança e educação. Sentimos também a impressão de que há uma redução na população destas comunidades em relação a nossa última visita ocorrida em 2014.

Na comunidade rural de Baixa Branca há um poço (96 m) perfurado pelo antigo IFOCS, hoje DNOCS cuja placa identifica que o poço foi inaugurado em 1937 e tinha uma vazão de 2200 litros/h.

Após a comunidade de Baixa Branca e antes da comunidade do Km 60 está localizada uma das fazendas da tradicional empresa de agricultura irrigada da Grande Região Jaguaribe-Apodi, a Agrícola Famosa.

A fazenda tem uma área considerável, se estendendo desde a Estrada do Cajueiro até a comunidade rural de Sucupira (Limoeiro do Norte). Neste ponto da estrada do Cajueiro há uma estrada vicinal que dá acesso a Sucupira contornando toda a fazenda da Agrícola Famosa. Após adguirir a fazenda, a Agrícola Famosa instalou uma área de cerca de 100 ha com a cultura da banana. Em razão da pouca vazão dos poços perfurados e do alto consumo de água pela cultura da banana, a empresa desativou a área de banana e passou a plantar mellão que também foi desativada no ano passado pela falta dágua. Atualmente a fazenda está sem produção e na área que foi desmatada está sendo trabalhado o processo de revegetação com espécies nativas.

A Estrada do Cajueiro apresenta-se totalmente diferente quando o trecho passa a ser de responsabilidade do DNIT-CE, a partir da comunidade de Baixa Branca. São 52 km que receberam restauração recente e apresenta condições ótimas de tráfego. A partir da comunidade do Km 60 a estrada recebeu pavimentação asfáltica num pequeno trecho decorrente da construção de uma estrada estadual que contorna o DIJA (Distrito Irrigado Jagauribe-Apodi). 

Ao longo do DIJA visitamos as áreas de plantio de banana para exportação da Del Mont Fresh Produce (cerca de 300 ha) e da Nordeste Vegetais (antiga BANESA) com cerca de 400 ha.

Após o DIJA, no sentido Tabuleiro do Norte acessamos o Vale do Jaguaribe pela comunidade de Santa Maria - Limoeiro do Norte, umas das descidas tradicionais da Chapada do Apodi naquela região. São três descidas vizinhas: Cabeça Preta (Limoeiro do Norte), Vila de Santa Cruz (Quixeré) e Santa Maria (Tabuleiro do Norte).

Deixamos a Estrada do Cajueiro no Km 90 e acessamos a nova fronteira da agricultura irrigada na grande região Jaguaribe-Apodi pela CE 358 (Tabuleiro do Norte – Olho Dágua da Bica). A estrada não apresenta nenhuma condição de tráfego. É uma rodovia estadual de 24 Km que precisa urgentemente ser recuperada, pois é o principal acesso para o tráfego de caminhões até a BR 116 em Tabuleiro do Norte. A partir de Olho Dágua da Bica visitamos a região dos Campos Velho via Estrada do Arenito (uma referência à facilidade de obtenção de água na região a partir do Arenito-Açu). Nessa região já percebe-se que o cultivo de banana tem excelente perspectiva. Uma empresa de agricultura irrigada de Quixeré (Bessa Produção e Distribuição de Frutas Ltda) adquiriu no ano passado uma área e já instalou a cultura. Observamos uma boa aparência da cultura.

Após a área de banana há uma área em instalação com a cultura do cajueiro anão precoce e em seguida, após a divisa CE-RN, no município de Apodi há as áreas da Agrícola Famosa com o cultivo de melão. Estima-se que já passa de 5000 ha as áreas adquiridas pela Agrícola Famosa no município de Apodi onde serão aproveitadas as águas do lençol Arenito-Açu.

Em razão da dificuldade de acesso à BR 116, o tráfego dos caminhões transportando frutas para os portos cearenses está sendo feito via BR 405, o que aumenta em cerca de 100 km a distância. Há necessidade de construção da Estrada do Arenito (Apodi-Campos Velho-Olho Dágua da Bica) para facilitar o acesso dessa nova fronteira agrícola à BR 116 em Tabuleiro do Norte.

 

Outra empresa que está instalada nesta região é a Angel Fruit. Essa empresa foi pioneira e trabalha com o plantio de melão e melancia.

Um índice que interessa aos produtores de melão

[0] Deixe seu comentário 24 de Agosto de 2016 às 22:54hs

Exportações do campo perdem atratividade

 

A apreciação do real e a redução dos preços em dólar das exportações do agronegócio brasileiro derrubaram a atratividade das vendas externas do setor, de acordo com levantamento divulgado ontem pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que é vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

O Índice de Atratividade das Exportações do Agronegócio (IAT-AGRO), calculado pelo Cepea, apontou redução de 12% no primeiro semestre ante igual período do ano passado. Pela metodologia do centro de estudos, o índice é calculado a partir de outros dois indicadores - câmbio efetivo do agronegócio e preços de exportações do setor.

No primeiro semestre, o Índice de Câmbio Efetivo do Agronegócio Brasileiro (IC Agro), que representa a média ponderada das taxas de câmbio reais dos 10 parceiros comerciais do Brasil, se valorizou 0,42% na comparação com os primeiros seis meses do ano passado.

Também calculado pelo Cepea, o Índice de Preços de Exportação do Agronegócio Brasileiro (IPE-Agro) registrou forte queda no primeiro semestre. Na comparação com o mesmo período ano passado, a retração foi de 12%. Entre os grupos do agronegócio, apenas o de frutas não registrou queda nas cotações em dólar, de acordo com o Cepea.

A despeito da menor atratividade e da queda dos preços em dólar, o volume de produtos exportados pelo agronegócio do país aumentou 25% no primeiro semestre ante igual intervalo de 2015. A receita em dólar cresceu 4% e a receita em reais, 8%.

Fonte: Valor Econômico

Recriação do MDA

[0] Deixe seu comentário 24 de Agosto de 2016 às 21:41hs

Ruralistas protestam contra recriação de ministério

 

A Frente Parlamentar da Agropecuária reagiu contra a decisão do governo de recriar o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e vai pedir ao presidente interino Michel Temer que aborte o plano.

O presidente da FPA, deputado Marcos Montes (PSD-MG), disse ontem que deve se encontrar com Temer para reforçar a reivindicação da bancada ruralista do Congresso. "Estamos apoiando o governo Temer por entender que é diferente do anterior, mas o que estamos vendo quando o governo diz que vai voltar com o MDA remete à divisões que o governo petista fazia questão de criar na área fundiária", disse Montes.

Os ruralistas entendem que não há sentido separar as discussões sobre a agricultura empresarial e a familiar dentro do mesmo governo. Ao contrário de movimentos sociais como o Momento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), que pedem a volta do MDA e inclusive já ocuparam o prédio do Incra com protestos nesse sentido.

A volta do MDA também faz parte de uma pressão política do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força.

 

Fonte: Valor Econômico

Redução das áreas de banana para o mercado interno

[0] Deixe seu comentário 24 de Agosto de 2016 às 21:18hs

Uma grande empresa de agricultura irrigada produtora de banana instalada na Chapada do Apodi com áreas produtivas nos municípios de Quixeré (próximo ao distrito de Lagoinha) e na comunidade rural de Tomé está com grande dificuldade para segurar os seus compromissos de fornecer a banana para o mercado interno. O principal motivo é a falta dágua nos poços do calcário Jandaíra, única fonte de água disponível.

Esta é a pior crise hídrica que a empresa está passando em mais de 20 anos instalada na região. A única saída para minimizar as perdas dos pomares de banana instalados é a redução das áreas plantadas e o abandono de áreas que não tem qualquer possibilidade de irrigação pela falta dágua.

Antes do atual período de seca, os municípios de Quixeré e Limoeiro do Norte possuiam grandes áreas com a cultura da banana tanto para o mercado interno (Norte e Nordeste) quanto para o mercado externo. Durante o período de seca muitas áreas de pequenos e médios produtores de banana e outras culturas, como mamão, foram desativadas pela falta dágua.

As áreas de banana destinadas ao mercado externo (concentradas em duas empresas de grande porte) ainda não sofreram com a falta dágua em função da localização. Elas usam água do canal de irrigação do DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe-Apodi). As perspectivas para o fornecimento desta água para o canal a partir da Barragem das Pedrinhas (Limoeiro do Norte) não é das melhores. 

Controle de qualidade de frutos tropicais

[0] Deixe seu comentário 24 de Agosto de 2016 às 20:24hs

 

A rede multinacional de supermercados Walmart, maior empresa do mundo do comércio varejista, com faturamento de US$ 600 bilhões por ano, está anunciando, aqui no Brasil, que, a partir do próximo ano de 2017, só poderá fornecer-lhes frutas, legumes e verduras os produtores rurais que estiverem incluídos no seu programa 3P de Qualificação de Fornecedores.

Esse programa, a que aderiram, aqui no Ceará, 19 produtores, passará a exigir deles um rígido controle sobre a presença de agrotóxicos nos seus produtos.

Isto quer dizer que as frutas, os legumes e as verduras deverão ser lavados antes de serem embalados e entregues aos supermercados do Walmart, que é a dona também dos super e hipermercados Bompreço.

Agricultura Irrigada

[0] Deixe seu comentário 24 de Agosto de 2016 às 20:20hs

Itaueira busca mercados na Ásia para melão

   

asia

No próximo dia 7 de setembro, o empresário cearense Tom Prado, sócio e diretor da Itaueira Agropecuária, grande produtora e exportadora de melão, e também presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da Federação Nacional da Agricultura, viajará para Hong Kong, na China.

Acompanhado de sua irmã Adriana Prado, sócia e diretora comercial da Itaueira, Tom Prado participará da Asia Fruit Logistica, maior feira de frutas do continente asiático, onde tem uma agenda de reuniões com importadores de diferentes países da Ásia.

Os irmãos Prado vão abrir novos mercados no outro lado do planeta, aproveitando que as grandes empresas mundiais de navegação prometem criar linhas permanentes para ligar os portos de Pecém e Suape aos portos da Ásia, onde cresce o consumo de frutas frescas tropicais, como o melão e melancia.

Retorno do Blog

[0] Deixe seu comentário 24 de Agosto de 2016 às 20:13hs

Prezados boa noite:

 

A partir de hoje estamos recolocando no ar o blog: josivanbarbosa.com.br.

Como anteriormente vamos enfatizar assuntos que tratam de educação, inovação, economia e desenvolvimento regional. 

Pedimos desculpas aos nossos leitores pelo tempo que o site ficou fora do ar. Durante este tempo publicamos semanalmente a coluna Josivan Barbosa no semanário RedeNews 360. Com o anúncio da descontinuidade desse jornal, fizemos a opção de reativar o site como forma de continuar contribuindo para o desenvolvimento da nossa região.

O site enfatiza matérias que são publicadas em nível nacional e que impactam na nossa região.

Em função da nossa atuação profissional na Universidade do Semiárido, lecionando as disciplinas de Desenvolvimento Econômico e Política Agrícola e Cadeias Agroindustriais de Importância para o Semiárido, daremos também atenção ao desenvolvimento da Agricultura Familiar, Agricultura Empresarial e no Negócio Rural como um todo.

As matérias sobre educação estão baseadas na longa experiência como educador, indo desde a atuação como professor de aulas de reforço para alunos do ensino fundamental no inícío da década de 80, professor do ensino médio na primeira metade da década de 80, professor de ensino superior a partir da segunda metade dos anos  80 e gestor universitário durante 16 anos na atual Universidade do Semiárido.

Os assuntos que tratam de inovação e que podem impactar na nossa região, independente da área de estudo, também serão tratadas neste site.

Finalmente, daremos, também certa atenção a temas ligados à economia e à política, pois, a partir do momento em que deixamos a gestão da Universidade do Semiárido, temos nos dedicado ao estudo desses temas.

Sejam todos bem vindos à leitura do site e estejam à vontade para críticas, sugestões, envio de matérias para serem publicadas ou qualquer outra contribuição.

 

Josivan Barbosa

Universidade do Semiárido.

 

Retorno das postagens

[0] Deixe seu comentário 24 de Agosto de 2016 às 12:27hs

BSB ON LINE – Em linha com Brasília e com o Brasil

[0] Deixe seu comentário 09 de Dezembro de 2015 às 07:44hs

Entrevista de Levy 1

 

            Valor: A meta de superávit primário de 0,7% do PIB faz sentido com a economia tão fraca?

Levy: Essa é uma pergunta legítima, mas a política econômica não é unidimensional. É evidente que temos que ter uma política fiscal compatível com a dinâmica da dívida pública, até para ajudar a baixar os juros mais rapidamente. A real discussão, porém, é o que mais o governo pretende fazer para transformar a economia, já. Prometer dinheiro para governadores, abandonar a meta fiscal, é repetir o que se fez desde 2011 e que a própria presidente disse que tinha se esgotado. Venho sublinhando que a saída é criar um novo ambiente, compatível com as necessidades e expectativas do país. Não é redobrar a dose de cortisona.

 

Entrevista de Levy 2

 

Valor: O Sr. acha que este governo tem condições de criar um novo ambiente? Há votos no Congresso para mudanças profundas?

Levy: Sim! Basta o governo esclarecer o que quer e manter as prioridades. Há meses construímos a reforma do ICMS no Senado. Essa semana, apesar de toda a turbulência do impeachment, a PEC 154, que cria os fundos para financiar essa reforma, foi apresentada. E o Senado determinou urgência na votação da lei da "repatriação" que vai alimentar esses fundos. Bastou um sinal do governo que o Senado mostrou que está engajado em resolver as coisas. O mesmo se deu com a votação da MP 688, que facilitou o leilão das hidroelétricas.

 

Déficit na previdência

 

 

            Nos dez primeiros meses de 2015, a previdência urbana registrou rombo de R$ 1,265 bilhão, segundo dados do Tesouro Nacional. No mesmo período de 2014, a conta era superavitária em R$ 15,343 bilhões.

         Anteriormente o resultado negativo estava concentrado na previdência rural, cujas regras de concessão são diferenciadas e leva em conta, por exemplo, a produção do agricultor. No acumulado de 2015, a previdência rural registrou resultado negativo de R$ 72,796 bilhões, o que representa aumento de 10,5% em relação a igual período do ano anterior.

No caso da previdência urbana, o desempenho está diretamente relacionado à atividade econômica. Se acontecem demissões, ou o faturamento das empresas cai, as contribuições previdenciárias seguem a mesma trajetória. A reversão do resultado positivo é mais uma preocupação para a equipe econômica diante do cenário de forte restrição fiscal.

 

Alckmin

 

Premido pelo pior índice de popularidade colhido ao longo dos quatro mandatos que já exerceu no Palácio dos Bandeirantes, o governador Geraldo Alckmin suspendeu a reforma da educação, demitiu o secretário de Educação e se propôs a abrir diálogo com os estudantes na tentativa de convencê-los de que a ampliação do número de escolas em tempo integral passa pela reunião de alunos de um mesmo ciclo escolar.

A repressão policial, no entanto, minou a confiança entre governo e estudantes. O uso de algemas e bombas de gás lacrimogênio nas manifestações reprisou o filme que entrou em cartaz no Brasil inteiro em junho de 2013 e foi sucesso de bilheteria. Ao longo das últimas semanas, pais e simpatizantes do movimento têm-se revezado para 'dar aulas' aos alunos que permaneceram acampados nas escolas e ainda não têm data prevista para o fim do ano letivo.

Nas últimas semanas, o governador subiu o tom em relação ao impeachment e voltou a se encontrar com o vice Michel Temer. Os movimentos de Alckmin, no entanto, não poderão ignorar os ruidosos estudantes que teimam em permanecer nas ruas enquanto a reforma escolar não for definitivamente revogada.

Raiz

 

A ata de fundação do Raiz (Raiz Movimento Cidadanista) será lançada no Fórum Social Mundial, no dia 22 de janeiro, em Porto Alegre (RS). O partido-movimento é inspirado em exemplos de fora, como o Podemos na Espanha, o Syriza na Grécia e o Morena no México. O Raiz desponta em meio a uma crise de representatividade partidária no Brasil, embora o país tenha, atualmente, 35 siglas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os líderes do partido-movimento, no entanto, miram os 71% dos brasileiros que, em pesquisa do Datafolha, divulgada em março, afirmaram que não se identificavam com nenhuma legenda. o Raiz Movimento Cidadanista tem entre seus fundadores a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) e o historiador Célio Turino.

 

Impeachment

 

            Este processo torna ainda mais imprevisível o cenário político do país, pois certamente vai inflamar a sociedade brasileira, despertando manifestações populares contrárias e favoráveis ao longo das próximas semanas. Enfrentamentos e choques mais sérios não podem ser descartados. O calor dessa disputa dificultará a obtenção de um consenso mínimo que permita encaminhar, pelo menos no curto prazo, as soluções para os graves problemas que o Brasil enfrenta atualmente. Há também o risco, que precisa ser considerado, de que o processo de impeachment termine aprofundando a divisão da sociedade brasileira.

 

A saída da crise

 

            Sem significar ordem de importância, é necessário, primeiro, rever o Pacto Federativo e viabilizar uma reforma do sistema tributário que, mesmo que de forma gradualista, o torne menos regressivo, mais descentralizado e mais pró-produção. Segundo, é igualmente imperioso reconstruir o Pacto Público-Privado, por meio do redesenho das relações Estado-mercado e de seus inúmeros marcos regulatórios de modo a propiciar uma forte retomada da capacidade de investimento em capital fixo do setor público e das empresas. Terceiro, é imprescindível reformular o Pacto Capital-Trabalho com o intuito de modernizar as formas de contratação e assalariamento sem comprometer direitos trabalhistas e sem transferir todo o ônus dessa reestruturação para a classe trabalhadora. E, quarto, é vital que o Pacto Social seja restabelecido, ressolidarizando a sociedade em torno de um projeto de desenvolvimento inclusivo capaz de conciliar de objetivos de crescimento e de bem-estar; e não um ou outro.

 

 

http://www.valor.com.br

 

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